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INSTANTES

É tarde demais

05 | 12 | 2011   21.20H
Luisa Castel-Branco

É tarde demais para alterar todos os erros que fiz e que hoje vejo tão clara e nitidamente.
É tarde demais para te dizer o quanto te amei e ao fim de quase trinta anos a saudade morde-me o corpo todos os dias.

O cheiro ao teu perfume de lavanda aparece do nada e imagens de nós dois aparecem-me de repente como flashes e em quase todos eu estou a chorar, por fora ou só por dentro.
É isto o amor? Esta culpabilização do que ficou por dizer e fazer, dos abraços e beijos molhados que nunca te dei? Das palavras que não disse, sim porque nunca tive coragem para te dizer: amo-te Pai.

Não, não era coisa que se dissesse como não era próprio demonstrar o quanto te amava.
E depois partis-te assim, aos 51 anos. Como pudeste fazer tal coisa? Tenho frio, foram as últimas palavras que disseste e eu não estava lá. Porque me assolam estas imagens e esta dor antiga hoje e agora? Não sei. Talvez nestes momentos mais difíceis da vida, em que tudo parece desmoronar-se ao nosso redor, quando o futuro é pouco mais que um buraco na alma e o medo nos dias, talvez seja quando este amor que nunca morre mais falta nos faz.

Só sei que nunca morrerás enquanto eu estiver viva, e que se aqui estivesses me olharias com um ar crítico, de quem tantas dificuldades passou e não compreenderia sequer porque duvido o que fazer. Basta estarmos vivos para lutar. É isso não é Pai?

© Destak

13 comentários

  • Caro Carlos Faria. Não fale do que não sabe. Quanto a eu cagar na entrada ou na saída, cago onde bem me apetecer. Quanto a si, acho bem que se solidarize com a D. Luisa e sentem-se os dois a ver o por-do-sol a aprodecer e a viver do passado enquanto o mundo gira e evolui.....
    anticristo | 13.12.2011 | 02.27Hver comentário denunciado
  • Antes até me aprazia cantar Hoje impera apenas a solidão Nada há que valha a pena recordar Nem sonhar com os dias que virão! Olho o céu azul a tocar o horizonte Como quem quer ver para além do infinito Já que o passado não tem sido bonito Talvez o futuro por sorte o confronte!
    Abel | 12.12.2011 | 18.40Hdenunciar comentário
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  • Solidarizo-me consigo, Luisa, recordar e viver, e sao as recordacoes que nos dao forca para continuar a lutar, sejam elas boas ou mas. Esse anticristo, que so fala em merda, deve ser dos tais que quando nao caga na entrada, caga na saida, desculpe a minha expressao, mas e uma retorica aos coments do Sr. anticristo.. Como diz o ditado, : PIMENTA NO CU DO OUTRO E REFRESCO. Quando lhe acontecer na pele perder algum ente querido, talvez entao mude de opiniao.
    Carlos Faria | 10.12.2011 | 13.17Hdenunciar comentário
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  • Eu só compro fraldas Louis Vuiton. Gosto de cagar com classe. Mas caro Pedro, talvez eu não me fizesse entender. É óbvio que o pasado faz parte da vida de todos. E tal como toda a gente, eu tambem tenho familiares que já não estão comigo, e recordo-os de quando em vez. O que eu quero chamar aqui a atenção é para as pessoas não cairem no erro de não conseguirem viver no passado. O povo português por tradição é nostalgico, melancolico, péssimista. Por isso inventaram o fado...... fado... embora algum dele sendo belo, a esmagadora maioria é absolutamente DEPRIMENTE. Riam-se, Vivam, a nossa passagem por aqui é muito rápida, e ninguem sabe o que há depois de esticar os chispes. O mais provavel é não haver nada. A vida não permite ensaios. Por isso quem melhor fizer a cama, melhor se deita nela....
    anticristo | 09.12.2011 | 21.04Hver comentário denunciado
  • Ó anticristo, recordar quem morreu não é viver o passado, pelo contrário, se leste o meu comentário diz lá que recordar os nossos entes queridos ajuda-nos no presente e no futuro. Quem não precisa de ajuda para levar o presente? Tu? Claro que não, nem tu nem ninguém, por isso eu recorro a quem me está próximo, presente materialmente ou no coração. E isso não é passado, as nossas recordações, emoções, sentimentos, são passado, presente e futuro, até chegarmos ao fim da viagem. Já agora, um conselho, acho que o tio Belmiro vende umas fraldas muito boas e baratas. Sem ofensa.
    pedro lindo | 08.12.2011 | 21.07Hdenunciar comentário
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  • É tarde demais. Esta manhã ao acordar, apercebi-me que tinha uma imensa e incontrolavel vontade de cagar. Fui à casa de banho, tomei duche, fiz a barba, e decidi não cagar. Não porque não quisesse. Mas apenas porque achei que não tinha tempo. Tomei o pequeno almoço, sempre assolado por aquela incontrolavel vontade de expelir a merda toda. Mas, estupidamente continuei sem o fazer. Entrei no carro e comecei-me a pedir descontroladamente. Cada peido era maior, mais barulhento e mais mal cheiroso que o anterior. No entanto, teimosamente, controlei a vontade de cagar. Agora.... Agora é TARDE DEMAIS. Borrei-me todo!
    anticristo | 08.12.2011 | 02.13Hver comentário denunciado
  • Foda-se. É só malucos. É por isso que o país está como está. Só falta a musica do Vitor Espadinha, ou melhor ainda, a marcha funebre. Pelo amor de Deus pessoal. Acordem e vivam. O Zé Portuga muito gosta de viver no passado e auto martirizar-se. Acordem caralho e vivam. Andem pra frente. Um dia tambem ides morrer, e depois foda-se! Acabou mesmo, não há marcha atrás.
    anticristo | 08.12.2011 | 02.10Hver comentário denunciado
  • Belíssimo testemunho !!! De facto, ao lê-lo, fico confortado por saber que muitas das minhas sensações que vivo ultimamente, pela mesma experiência, parecem-me tiradas da minha boca..., mesmo curiosamente nalguns infimos , mas para mim marcantes pormenores, que aqui descreve. É sem duvida uma perda, que nos deixa as maiores saudades até de novo nos encontrarmos, mas ganhamos aquilo que ele nos deixou de bom, neste caso o seu Dom da escrita, entre muitos outros atributos que concerteza e sem qq tipo de duvida "herdou" e fazem parte da sua pessoa. MUITO OBRIGADO LUISA, por ter tido a sorte de ler o seu artigo, que me dá toda a força para continuar a nossa vida.
    Bernardo | 07.12.2011 | 13.06Hdenunciar comentário
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  • Nunca é tarde demais para alterar os erros, nunca é tarde demais para dizer amo-te, nunca é tarde demais para conversarmos com que nós amamos e já nos deixou materialmente, nunca é tarde demais para sentir-mos a sua presença. Basta termos essa pesooa dentro de nós, no nosso coração, nos nossos pensamentos, e sim, podemos conversar, rir, chorar com ela, porque a conhecemos, sabemos a sua reacção, as suas respostas ás nossas perguntas, ás nossas atitudes e dúvidas. Converse D.Luisa, converse muito, só lhe dará prazer. É assim que eu faço com o meu pai (já falecido) e as nossas conversas confortam-me, ajudam-me e alegram-me.
    pedro lindo | 07.12.2011 | 00.05Hdenunciar comentário
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  • Ó Marluz, Quatro estações é a minha pizza favorita....
    anticristo | 06.12.2011 | 18.22Hver comentário denunciado
  • Mais um discurso TORTURIZANTE de uma velha que está em crise de meia idade. Mas alguem quer saber disso para alguma coisa? A srª às vezes é mesmo infantil. Passo a explicar. Mesmo que a srª tivesse passado todos os dias da sua vida a lamber o cu daqueles que ama, quando as pessoas morrem, é normal o sentimento que podiamos ter feito mais. Esse sentimento é indissoviavel (tome Marluz esta palavra cara para a sua colecção), do sentimento de perda. Todos nós já perdemos entes queridos. Qual é a novidade? Como diz o Barreira, é a lei natural da vida. Ou a srª quer ficar aqui a apodrecer? Imagine se todos nos solidarizassemos consigo como a sua fã marluz. Esta merda virada uma pagina de necrologia. Pelo amor de Deus, é Natal, Portugal está na merda. Escreva alguma coisa alegre para variar.... se conseguir claro.....
    anticristo | 06.12.2011 | 18.21Hver comentário denunciado
  • Boa tarde Dª. Luísa ... solidarizo-me nesse sentir... A PERDA.. E uma lágrima que cai na melancolia... Quatro estações ???… Serão necessárias para que se possa passar adiante depois de uma perda?? Não, para mim … Não! A morte é sempre muito difícil: o primeiro aniversário, o primeiro natal, o primeiro Fim de Ano, as primeiras férias... são ocasiões tão dolorosas e carregadas de memórias… Mas o passar dos dias, anos a dor vai amenizando a dor sentida e vai dando lugar a uma certa nostalgia, o carinho da lembrança é eternizado… Porque aceitamos tão dificilmente a morte? A vida é uma passagem, uma viagem… porque a pessoa que amamos é insubstituível no nosso coração, já que cada pessoa é única em si no nosso viver e somos conscientes disso… Depois de algumas auroras e alguns entardeceres, descobrimos que a vida ainda está sempre muito presente, que ainda somos capazes de nos alegrar com outras coisas, sem que isso diminua o amor e a saudade que sentimos de um ente querido que partiu… O pai, mãe … Sei... que o sangue continua a pulsar nas nossas veias, é a vida que pulsa e tudo o que podemos e devemos fazer é vive-la… lutar por ela ...amar os familiares, amigos desconhecidos …motivos de muita alegria…Reerguer…reagir…sorrir…pensar que o sol brilhará novamente … acreditar para ultrapassar a perda… Esta data no presente que recordamos … é o acordar para a realidade … que não somos eternos nesta vida terrena…e nos obriga a olhar o eu nos rodeia e a pensar na morte como pensamos na vida e aceitar que nascemos pó e ao pó havemos de voltar … Amar é o que resta … porquê? Porque não somos capazes de resistir ao Amor e no fundo nem queremos…como referencia ... o amor que brotou um dia ... Não a deixa separar e esquecer...De o recordar e amar eternamente ...A Coragem ...
    Marluz | 06.12.2011 | 15.08Hdenunciar comentário
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  • Cara Luisa . . . ! É verdade . . . ! Minha "linda" . . . ! É a lei implacável . . . ! Desta vida . . . ! Mesmo que as "malguinhas" Não eceitem o "veredicto" . . . ! Já somos dois . . . ! PAI NOSSO . . . ! QUE ESTAIS . . . ! NO CÉU . . . !
    alexandre barreira | 06.12.2011 | 07.29Hdenunciar comentário
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