Não chorarás em lugares públicos!
A ministra italiana Elsa Fornero tornou-se uma cara conhecida porque chorou durante uma conferência de Imprensa em que anunciou cortes nas pensões e benefícios sociais. E logo as opiniões se dividiram entre os que se comoveram, e lhe deram uma pontuação mais alta na escala dos seres humanos com coração, e os outros que rapidamente decidiram que decididamente isto da política não é para mulheres, ou que há mulheres que não são feitas para cargos difíceis, no caso dos comentários assinados no feminino.
As lágrimas são supostamente sinónimo de fragilidade, um atributo feminino. Fragilidade, note-se, que na opinião geral pode ser genuina, e merecer consolo, ou de crocodilo, fabricada por diabólicas serpentes que procuram assim seduzir os bondosos e ingénuos corações masculinos. Curiosamente os mesmos dos seres proibidos de chorar. Porque “Os homens não choram”, é a palavra de ordem que os rapazes ouvem desde que se lembram de si, como se o cromossoma Y, viessem sem saco lacrimal.
Imagina-se que a testosterona dos homens de barba rija , será sempre suficiente para que transformem a emoção em agressividade, as lágrimas em facas de ponta em mola, tornando-os mais aptos para declararem uma guerra.
Mas tudo isto é uma cretinice. Só não chora quem não vive as coisas com paixão, quem não tem integridade moral, quem não é sensível à injustiça. E qual é a empresa ou a sociedade que quer contratar ou eleger, gente sem estas qualidades? Chorar em público devia constar do CV, e ser condição de admissão em qualquer emprego. Os melhores e mais competentes chefes, diz-me a experiência, são aqueles que aceitam serenamente as lágrimas de quem trabalha para eles, da mesma forma que acolhem as suas gargalhadas. São aqueles (raros) que sabem que é assim que são feitas as pessoas que se entregam de corpo e alma ao que fazem.





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