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OPINIÃO

A certeza da incerteza

06 | 12 | 2011   20.13H
José Luís Seixas

Aprovado o orçamento de Estado para 2012 com os votos e proclamações previsíveis, o País antecipou finalmente a dimensão da austeridade dos tempos que virão. Todos andamos um pouco perdidos e desnorteados como náufragos num oceano imenso de dúvidas e incertezas. Dizem-nos que poupemos. Feitas as contas aos aumentos de impostos e às reduções (directas e indirectas) de rendimentos, perguntamos como. E se, fruto de muita frugalidade e ginástica, conseguirmos pôr de lado uns euros, que destino lhes dar? Depositá-los em bancos em crise?

Fazer aplicações em produtos financeiros sem garantias e com uma ciclópica volatilidade? Investi-los em imobiliário cuja tributação prometida assegurará um rendimento líquido negativo e uma desvalorização crescente? O que resta, pois? Socorrer-nos da velha caixa de sapatos, nela guardando as notas de uma moeda cuja sobrevivência é quotidianamente questionada? Ou seja, até o homérico acto de poupar comporta um rosário de questões sobre o destino do poupado a que ninguém consegue responder com segurança. Tudo é passível de mudança súbita. Resta, pois, o avisado conselho do Bispo do Porto, D. Manuel Clemente: valorizemos o que durante muitos anos esquecemos, por entre a facilidade e a abundância que, apesar de virtuais, nos foram oferecidas.

Saibamos nos nossos mundos, pequenos ou grandes, merecer a vida que recebemos. Ou, dito de uma forma mais popular: alimentemos a esperança de que não há mal que sempre dure; sim, porque sabemos já que não há bem que não acabe…!

© Destak

5 comentários

  • Caro amigo ,estou totalmente de acordo com o que escreve e como termina. Reafirmo que devemos cada vez mais dar valor ao que é realmente importante.esta crise além do gde gde problema económico centra-se tambem muito na questão de princípios (educacionaisculturais,sociais e religiosos)se assim não fosse moto do q se passou ,não aconteceria.mas agora estamos num período em que penso que a onde de descredito do pais, da economia , do desemprego devera a todo o custo ser suplantada pelo acreditar ,pela confiança ,pelo estimulo e pela autoestima. Que acreditemos em nos ,pq somos tão bons ato os melhores.nao tenhamos duvidas,.assim nos concedam a possibilidade para o fazedores abraço amigo.continue a escrever esta espectaculares crónicas
    V Coelho | 07.12.2011 | 20.17Hdenunciar comentário
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  • Desta vez discordo Marluz quando diz que o grande problema não é a crise global, pois Portugal não passa de uma simples marioneta no palco mundial. Todas as politicas adoptadas pela U.E., pelas quais nos regemos e estamos condicionados, são tomadas sem serem tomadas em conta as opiniões dos chamados países pequenos, nós incluidos, e por isso se nos dizem tu não podes produzir isto, não podes comercializar aquilo, não podes aquilo outro (ou não deixam por limites de quotas ou porque simplesmente não nos deixam entrar em certos mercados) nós só podemos baixar as orelhas e concordar. Que força politica, que força económica, que força social temos no mundo? Nenhuma, zero. Temos, isso sim, de potenciar o que possuimos para diminuir drásticamente as nossas importações ( o que criará empregos e riqueza) e através da nossa imaginação reinventar certos produtos e serviços e levá-los para exportação.
    pedro lindo | 07.12.2011 | 19.23Hdenunciar comentário
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  • Pois... a certeza que tenho neste momento é que o País caminha para o limite da degradação ... e aumenta a incerteza nos políticos onde grassa a falta de ideias ... só a ideia de aumentar impostos atrás de impostos ... onde se retira a alegria e as incertezas essas serão muitas num Novo Mundo em constante mudança ... Seria de bom tom a capacidade de reinventar o cidadão, a sociedade( os políticos, os empresários, toda a classe partidária) ... assim as certezas seriam verdades mais absolutas... Será que esta reinvenção será dos políticos?? ... mais estou convicta que essa reinvenção não será gerada nos corredores da política mas por cidadãos criativos ... a esperança de um Portugal Novo ... O maior problema de Portugal não é a crise global, é ele próprio...
    Marluz | 07.12.2011 | 13.59Hdenunciar comentário
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  • Bolas que isto era tudo muito mais fácil quando estava lá o Socrates: era só dizer mal de tudo e "prontos". Agora é só incertezas, dificuldades, abnegação ... Que hipocrisia, que lixo moral, que nojo ...
    anónimo | 07.12.2011 | 09.40Hver comentário denunciado
  • Caro JLS . . . ! Por favor . . . ! Não assuste mais . . . ! As "malguinhas" . . . ! Tenha fé . . . ! Homem de Deus . . . ! Porque o D. Manuel Clemente . . . ! Encarregar-se-à da . . . ! Extrema Unção . . . ! ! !
    alexandre barreira | 07.12.2011 | 07.10Hdenunciar comentário
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