«É Melhor Saber» luta contra a SIDA
A taxa de novos diagnósticos de casos de VIH em Portugal é das maiores da Europa. É que o vírus, apesar de ter deixado de ser manchete diária dos jornais e abertura dos telejornais, quase como se tivesse passado de moda, infelizmente nem desapareceu, nem perdeu a sua gravidade.
Deixou foi de ser possível associá-lo de forma linear e directa a grupos de risco, nomeadamente aos homossexuais ou aos toxicodependentes, como até aqui, e talvez por isso se tenha tornado menos bombástico falar nele. O que é particularmente grave, dado que nos últimos anos, em Portugal, cresceu entre os hetrossexuais, sobretudo entre os homens (para um 3.º lugar a nível europeu), mas também entre mulheres de meia-idade, muitas apanhadas de surpresa dado que nunca tiveram um comportamento de risco, e estavam perfeitamente convencidas de que o seu marido ou companheiro também não.
É por isso que hoje os especialistas já não falam de grupos de risco, mas de comportamentos de risco, e lembram que o contágio pode ter acontecido há muito tempo, dado que um grande número dos portadores do VIH são assintomáticos, até ao dia em que o vírus se torna activo. Ou seja, podem ter contagiado, e continuar a contagiar as pessoas com quem têm relações sexuais, mesmo sem a consciência de que o estão a fazer.
Muita coisa mudou desde a altura em que a doença foi descoberta, e hoje há formas de tratamento que podem retardar não só o início da doença, como o seu processo de desenvolvimento, e a agressividade com que se manifesta. É, inclusivamente, considerada já uma doença crónica, dado o tempo de vida que os doentes conseguiram conquistar. Mas quem não sabe que é portador do vírus está em desvantagem. Porque transmite a doença, e porque não se trata enquanto é tempo. Para evitar que assim seja, os movimentos e associções de luta contra a Sida criaram uma plataforma a que deram o nome de «É Melhor Saber», e que na quinta-feira será anunciada publicamente na Fundação Calouste Gulbenkian.
O objectivo é uma promoção unida e em força do diagnóstico precoce, inciatando quem teve um comportamento de risco, por mais longínquo e distante que lhe pareça ter sido, a fazer um teste e a descobrir a verdade. Frente ao preconceito, contrapõem as vantagens de saber mais cedo. Que são todas.






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