Uma criança, uma prostituta, a indiferença
À medida que decorre o julgamento do Caso Rui Pedro, ficamos a perceber que há indícios fundamentais que não foram seguidos com o rigor e a persistência necessária. Nestas tragédias os “ses”, que dão a impressão de que se pudéssemos voltar atrás no tempo um milionésimo de segundo que fosse, tudo seria diferente, são sempre o maior pesadelo dos pais. Da mesma forma que o “Não havia nada a fazer”, dito por quem tem créditos para o afirmar, funciona como bálsamo tranquilizador. Mas neste julgamento ficam mais claros os “ses”, e mais certo de que havia muito mais a fazer, uma dupla tragédia para uma família que já vive crucificada.
Mas no meio disto tudo, o que mais me pasma é o encontro da criança com a prostituta, que na altura não foi validado porque, alega-se, a testemunha não acertou na cor do carro daquele que já era então o principal suspeito. Desculpem a minha ingenuidade se for deslocada, mas é assim tão banal este tipo de encontros? Há assim tantos por dia, ao ponto de um investigador ser levado a pensar qualquer coisa como “É pá, de facto aconteceu na tarde em questão, mas nada indica que seja o Rui Pedro! Aquela hora, podia bem ter sido o Manelinho ou o Joaquim”? Não seria importante descobrir quem era a criança colocada assim em grave risco, mesmo que achassem que não era aquela que aqueles pais davam como desaparecida? Afinal, nem a prostituição, nem tão pouco as relações sexuais com menores são legais, ou seja haveria ali sempre um crime por resolver. Mas ao que parece, nada fora do normal que perturbasse muito os investigadores.
Infelizmente, o pior é que tanto tempo depois, em que a versão dos acontecimentos de cada um foi repetida e ajustada, como é que se deslinda a verdade? Pobres pais, aparentemente mais próximos de uma resposta, frente a um arguido que não pode (porque é inocente), ou não quer dá-la.







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