Mães que trabalham fora são mais felizes
O sentimento de culpa, uma culpa difusa que contagia tudo, faz parte da vida de todas as mães que trabalham fora de casa. Culpa, agravada, sempre que os nossos filhos fazem uma birra para ficar na creche, a professora insinua que têm falta de atenção da mãe, ou horror dos horrores, não chegar a tempo e horas à festa de Natal, porque a reunião nunca mais acabava.
Apesar desta luta interior, no entanto, as mulheres não querem deixar de trabalhar, retirando da sua vida profissional uma enorme realização pessoal, como indicam os estudos feitos, nomeadamente pela socióloga Anália Torres. O que, claro, também as culpabiliza, como se fosse um prazer pelo qual devem pedir desculpa. Na raíz da angústia está o mito de que a mãe ideal é aquela que se dedica exclusivamente aos filhos, e que os filhos dessas mães são mais felizes por isso, mito que parece de pedra e cal, por muito que os historiadores recordem que à excepção das mães de classe média e alta (e quanto mais alta, mais amas e criadas tinham para os meninos), todas as outras sempre traba-lharam fora, de sol a sol.
O endeusamento do papel de mãe a tempo inteiro torna politicamente incorrecto dizer a verdade, ou seja, que para a maioria das mulheres é extremamente frustrante, desgastante e deprimente ficar sozinha meses e anos a fio, em redor de uma criança pequena. Mas um estudo publicado esta semana no Journal of Family Psychology confirma que assim é : 1364 mães foram acompanhadas durante dez anos, a partir dos 6 meses dos seus filhos, para se concluir que aquelas que trabalham a tempo inteiro e a tempo parcial estão mais felizes, menos deprimidas e mais saudáveis do que as que ficam em casa com as crianças. E embora as de tempo integral sintam o conflito entre trabalho e filhos, parecem resolvê-lo sem angústias de maior. E como era de prever, mães felizes têm filhos felizes e espertos. Haja empregos!






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