O Império
No início do século passado, os países ocidentais viviam dos seus impérios. Mas a Alemanha não. Estávamos em plena revolução industrial. A Alemanha tinha aço e carvão, podia fazer máquinas pesadas, mas não tinha a quem as vender. Em aventuras suicidas, por duas vezes tentou estabelecer o seu império na Europa, mas acabou submetida por quem tentou colonizar.
Entretanto, os outros países foram perdendo os impérios. Mantiveram algumas trocas comerciais com os povos que antes colonizavam, mas as coisas tornaram-se mais difíceis. Tiveram então de inventar um espaço comercial comum marcado pela mesma moeda. A ideia não era má, mas nem todos tinham os mesmos recursos. E, pior ainda, abriram-se aos mercados globais que retiravam das transacções aquilo que podiam em juros e mais valias. Se os recursos eram já assimétricos, mais assimétricos se tornaram.
Com a ajuda dos Mercados e da teoria da austeridade, a Alemanha prepara-se de novo para colonizar a Europa. Vai construir bolsas de desemprego, desespero e pobreza nos países submetidos. Até a França, como é seu costume, capitulou, fazendo a figura que fizeram outrora os judeus ricos. O património dos países periféricos vai desvalorizar-se e a Alemanha vai comprá-lo ao preço da chuva. Vai arranjar mão de obra barata para produzir as suas máquinas pesadas. E vai criar instabilidade social, um pretexto ideal para lhas vender de volta. Há quem diga que é uma nova aventura suicida, mas vamos a ver.





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