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OPINIÃO

Fitas e Fintas

18 | 12 | 2011   18.01H
João Malheiro

O António Simões fez anos. Não é que é quase septuagenário? Convidou-me para o jantar de aniversário, regressado há dias do Irão, onde tem coadjuvado Carlos Queiroz. A cerimónia foi muito íntima e não menos tocante. O António gosta de sentir verdade, gosta de sentir certeza nos seus amigos. A meio do repasto, liguei à minha mãe, que já dobrou a barreira dos oitenta. “Nos anos do Simões? Aquele pequenino das fintas que jogava com o Eusébio?”. Esse mesmo.

Simões foi um futebolista genial. Na esteira de Rogério, Bentes, Albano, deliciou o mundo da bola nas décadas de 60 e 70. Um dia, comparei-o a algumas figuras da Banda Desenhada. Foi assim: “Ele era o Rato Mickey, na sua principal alcunha, expressão de agilidade em corpo minguado. Ele poderia ser o Speedy Gonzalez, conceito de rapidez, de velocidade. Ele poderia ser também o Astérix, noção de combatente, de indomável. Ele poderia ser ainda o Lucky Luck, ideal de oportunidade, de precisão. E porque parecia driblar mais rápido do que a própria sombra, ele só poderia ser o nosso Simões. Que ao poema chamava finta”.

Ele tinha a graça dos mais gráceis. Ele tinha a subtileza dos mais subtis. Ele tinha o engenho dos mais engenhosos. Ele tinha tudo o que os outros não tinham. Depois dele, também tiveram o Chalana, o Futre, o Figo, agora o Ronaldo. Gente de fintas como fitas? Ou será que gente de fitas como fintas? Sempre gente das mais belas fitas com as mais belas fintas.

O futebol português tem parido alguns dos melhores filhos da melhor bola. O Simões ainda hoje é o mais jovem campeão europeu de toda a história. Dizer Simões, dizer também Chalana, Futre, Figo ou Ronaldo é dizer acato, é dizer mercê, é dizer honra. Mais ainda, é dizer presente a um passado com sabor a futuro.

© Destak
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