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OPINIÃO

Natal

21 | 12 | 2011   19.43H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@ucp.pt

O Natal este ano não calha nada bem. Acabámos de trocar de Governo, ainda ignoramos o que pensar dos novos ministros e mal começou o abalo da troika. Estamos desanimados, medrosos, indignados. Se nem sequer sabemos para que lado é o fundo do túnel, como ver se lá há luz? A noite dificilmente poderia estar mais escura, os campos mas frios, a miséria mais palpável. Como ter cabeça para tratar do Natal?

Foi precisamente assim há dois mil anos. Na época as coisas estavam bem piores que hoje. Também havia imensas dificuldades, os impostos dos romanos eram enormes e a situação económica desastrosa. Nem havia lugares na hospedaria. As condições dificilmente podiam ser piores.

Mas as condições nada têm a ver com o Natal. O Natal é outra coisa: «Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu em volta deles; e tiveram muito medo. O anjo disse-lhes: “Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo”» (Lc 2, 9-10).

O mesmo anúncio é feito há dois mil anos, em tempos de paz e de guerra, em épocas de prosperidade e desgraça, em fases calmas e turbulentas. Há dois mil anos que o Natal calha sempre, e por isso calha nas situações mais variadas. Raramente calha bem. Mas o que interessa é que calhe.

O anúncio é sempre igual. A única diferença está na resposta. Sabemos o que aconteceu então: «os pastores disseram uns aos outros: “Vamos a Belém, para ver o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer”» (Lc 2, 15). Como será a nossa resposta este ano? Esta é a única dúvida que existe no Natal.

© Destak

7 comentários

  • Porque é que há um "silêncio colossal" sobre a proposta do PC como alternativa à intervenção da Troika? Toda a gente desconfia do PC? Eu desconfio do PC, mas também desconfio de informações de instituições e organizações como as Igrejas, das máfias, da CIA, Jornal Expresso, etc., etc. Mas uma coisa é estarmos de pé atrás por sabermos um pouco de história, outra coisa é recusarmo-nos discutir ideias, teorias e teses. Quem come os dinheiros dos juros e das comissões da intervenção da Troika também comeu o cérebro e a boca de toda a gente que gosta de intervir publicamente? Eu estou convencido que a intervenção da Troika/FMI é um desastre para o país! A alternativa que me parece de maior interesse para o país consiste em "Vender paulatinamente os cerca de 55 mil milhões de euros de "investimentos públicos" em dívida estrangeira (feitos pela Segurança Social, Banco de Portuigal, ...) e com esse dinheiro, retornado a território nacional, investir nos mercados secundários da dívida nacional. Com algumas investidas certeiras poder-se-ia baixar rapidamente a dívida soberana para valores abaixo de 60% do PIB. Ainda sobejaria algum dinheiro para desenvolver "projectos públicos" na produção energética e em alguma indústria "ecológica" em vários sectores, por exemplo nos transportes. Aqui chegados deveriamos realizar um referendo sobre a permanência ou saída do Euro. Se sairmos, o problema que se poderia colocar relativamente às pensões e gastos públicos fica facilmente resolvido. É só pôr a rotativa a trabalhar. Como bónus, diminuirão as importações e o sector privado poderá mostrar o que vale desenvolvendo o sector produtivo nacional. Como dizia Salazar numa das suas aulas sobre impostos indirectos "é como quem depena patos!!!". Aos prezados leitores deste comentário faço o desafio de apresentarem argumentos substantivos e não preconceituosos que demonstrem a impossibilidade ou a falta de valor desta proposta. Fico à espera!!!
    Manuel Martins | 02.01.2012 | 23.15Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • 27.12.2011 | 22.26Hcomentário reprovado
  • Ó comentador, tu falas, mas não sabes do que falas...
    INCITAS A ÓDIOS | 23.12.2011 | 11.39Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • 23.12.2011 | 01.27Hcomentário reprovado
  • 22.12.2011 | 10.02Hcomentário reprovado
  • 22.12.2011 | 07.05Hcomentário reprovado
  • 22.12.2011 | 02.12Hcomentário reprovado
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