As figuras que não quer no seu presépio
Há momentos em que apetece fugir do trânsito, da confusão, das lojas cheias de gente, e passar o Natal numa praia deserta. Mas se mesmo num estábulo perdido houve pastores a surpreender com a sua visita, reis magos a bater à porta, e anjos a encher a noite com as suas vozes, quando toda a gente certamente tentava dormir, o melhor mesmo é desistir de escapar, conformando-se a viver estes dias com um sorriso na cara. Para o ano ficam os ajustes de contas com o idiota que quase lhe bateu no carro, o cretino que passou à sua frente na fila, ou o chefe que logo hoje o sobrecarregou de trabalho.
Há, no entanto, alguns inimigos do Natal que, segundo os especialistas da mente e da alma, devemos evitar, não tendo o minímo de remorsos de deixar a falar sozinho...
O eterno cínico – aquele que, num tom superior, faz comentários ácidos que deixam tudo e todos tristes e maldispostos...
A vítima – Chega, com um ar sorumbático, e diz-lhe como o inveja, acrescentando que também seria feliz se tivesse a sua sorte. Só se cala quando você, culpabilizado, lhe pede desculpa por ser uma pessoa feliz...
O pendura – Convida-o porque tem pena que passe o Natal sozinho, mas arrepende-se quando ele se instala na sua sala a dar ordens e opiniões sobre tudo e todos...
O desiludido – Reage a tudo com tristeza, porque afinal nada é exactamente como esperava, nem o presente, nem a comida, nem a companhia. Se o desiludido é uma pessoa próxima, ou pior ainda um filho, então, adeus, o Natal está definitivamente estragado, porque não há como deixar de sentir que falhou na sua missão de o fazer feliz. Espero que nenhuma destas personagens faça parte do seu presépio. Feliz Natal.





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