Os Crentes
OPresidente do Banco Central Europeu, a Presidente do Fundo Monetário Internacional, o Presidente da Tróica, os Ministros das Finanças dos governos dominantes europeus, os Presidentes emprestados à Itália e à Grécia, os recém eleitos Primeiro-Ministros de Portugal e Espanha, os dirigentes actuais da Europa, todos aqueles que estão a tentar resolver a crise europeia, têm um denominador comum: são crentes.
Acreditam na “mão invisível dos mercados”. Acreditam que a liberdade absoluta para os negócios privados há-de trazer prosperidade e paz à humanidade. Acreditam nisto, cegos para os acontecimentos recentes que negam a crença e que eles atribuem a pequenas disfunções: a retirada do capital dos sectores produtivos para a especulação financeira e para os juros das dívidas, o desemprego, a vitória dos países que aproveitam a liberdade dos mercados globais mas condicionam a liberdade interna, os resultados climáticos do crescimento económico exponencial, as assimetrias sociais em acelerada progressão. Como as crenças no futuro não se podem demonstrar, cada um acredita naquilo que lhe dá jeito. A crença na supremacia da liberdade dos negócios dá jeito às instituições e países que ganham com os juros do dinheiro emprestado. Não admira que os seus dirigentes acreditem nos mercados. Mas já não se percebe porque é que os dirigentes dos países espoliados também acreditam. Ou são fanáticos da cartilha que lhes ensinaram, ou têm razões pessoais para ganhar com eles.





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