Vamos vender o País?
O País está à venda? Está, e barato. Quem circula por Lisboa pode reparar quantas coisas já pertencem aos angolanos. Do mal, o menos. Estamos a pagar o que lhes tirámos ao longo de séculos. Comprar e vender é sinal dos tempos. Foi para isso que os povos europeus elegeram governos de direita. O dinheiro é quem manda agora. E quando tudo estiver vendido, talvez o Estado residual também se possa vender. Aliás, muitos pensam que já foi vendido aos alemães.
Resta saber a quem se vende. Não é boa ideia vender aos empresários portugueses da mão-de-obra barata que, à mínima contrariedade, deslocalizam as suas empresas. Aos espanhóis também não, porque têm o vício de falar uma língua que fere os tímpanos. E é sabido que os europeus do sul também estão falidos, por isso não compram nada. Temos então os ingleses que já compraram o Algarve e, vamos lá, porque não vender a Madeira aos nórdicos? Tem a mais-valia de incluir circo e palhaços.
Mas agora vêm aí os chineses. Antes eles que os alemães. Os chineses vivem longe e querem um ponto de apoio para lidar com Angola e o Brasil. E disso sabemos nós, que temos a mesma língua. No tempo dos Descobrimentos, os chineses não chegaram a lado nenhum porque tinha barcos demasiado sumptuosos e pesados. Agora, com a ligeireza com que o dinheiro corre, estão mais leves e vão-nos ajudar a navegar de novo pelo Atlântico. Trazem também os seus métodos de cura. Falhada a sangria, resta tentar a acupunctura.







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