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OPINIÃO

Natal com o Eusébio

10 | 01 | 2012   15.50H
João Malheiro

Como é que  escreveu o José
Carlos Ary dos Santos? «Natal é quando um
homem quiser». Escreveu
lindo, escreveu intenso. O
Paulo de Carvalho cantou.
Cantou lindo, cantou
intenso.

E o meu Natal? Afinal,
como foi o meu Natal?
«Natal é como o Eusébio
quiser», poderia ter escrito.
O Eusébio quis que o meu
Natal fosse menos Natal.
O Eusébio quis que o
meu Natal fosse um Natal
perturbado. O Eusébio
não quis voluntariamente,
mas eu quis que este fosse
o Natal do Eusébio. Falei
com ele todos os dias, mais
ainda no próprio dia de
Natal, ouvindo quase sempre
aquela voz fatigada,
triste, pesarosa. Mas ouvi,
também, uma voz amiga,
gentil, delicada.
O meu Natal foi do
Eusébio e para o Eusébio.
Tantas mensagens, tantos
contactos, tanta gente
preocupada com o estado
de saúde do mais lendário
futebolista nacional
de todos os tempos.
De regresso ao hospital,
o Eusébio quis que o meu
Natal se prolongasse. Não
quis voluntariamente, mas
eu quis que assim fosse.
Porque «Natal é quando
um homem quiser». E eu
quis, eu quero continuar a
querer o Natal do Eusébio.
Quis e quero continuar, dia
após dia, a ouvir aquela
voz. Menos fatigada, triste,
pesarosa. Sempre amiga,
gentil, delicada.
Escrevi muito, com indisfarçável
orgulho, sobre o
Eusébio. Só ainda não tinha
escrito aquilo que lhe disse
há duas semanas. «Maior,
tu para mim és mais importante
do que o Natal.» O
Eusébio não gostou. Eu
gostei. Gostei porque senti.
E também vou gostar, mais
ainda, de o ver, no futuro, a
marcar golos, muitos golos,
bonitos golos, gostosamente,
na baliza da vida.

© Destak
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