Dez anos de vergonha em Guantanamo
Indigna que um país que constantemente dá lições de moral ao mundo tenha telhados de vidro. Pior ainda, telhados de vidro que resistem a todos os protestos e indignações, e até às palavras do seu próprio presidente. Mas o campo de prisioneiros de Guantanamo fez ontem dez anos, e uma década depois mantém 171 prisioneiros, muitos a aguardar julgamento por alegados crimes de guerra, e outros tantos já declarados inocentes por uma task-force do Departamento de Justiça, mas sem condições para voltarem aos países de origem, e que os EUA recusam aceitar. Gente a quem foi negada a presunção de inocência, e um julgamento livre, com direito a defesa, tudo slogans que a mais banal série de televisão norte-americana nos convenceu serem pilares fundamentais do seu sistema de justiça. Para não falar na tortura e nos maus tratos.
De tal forma é assim que Obama ao tomar posse jurou fechar o campo dentro de um ano. O prazo acabou há dois. Tom Parker, da Amnistia Internacional (AI), disse ontem que neste processo «há culpa que chegue para todos. O Congresso tem trabalhado diligentemente para impedir o presidente de fechar Guantanamo, mas o presidente também não tem sido capaz de explicar aos americanos porque é que este campo deve ser urgentemente encerrado». Mas Obama fez pior, diz a AI, ao assinar recentemente uma lei que permite que os presos de guerra sejam detidos indefinidamente sem julgamento. Vai mal uma super-potência que age e legisla assim. Em sua defesa, a que não concedem aos outros, só se pode dizer que pelo menos discutem abertamente o problema, permitindo que na rua e na comunicação social se expressem posições contrárias, e a violação seja denunciada. Qualidade que muitos outros países que acusam os EUA não têm.




