Dizer Adeus
Tenho um buraco onde antes estava o meu coração e o corpo de tão moída pela dor parece mais um monte de farrapos caído no chão. Os olhos de tanto chorar sumiram-se e deram lugar a duas névoas sem vida. Mesmo quando tememos que um dia haja um fim, nunca estamos preparados para esta dor tão monstruosa. E, de repente, todas as boas recordações desaparecem, todos os encantos partilhados, os perfumes saboreados, tudo deixa de ter existência. Fica só uma raiva surda, apática. Como se sempre soubéssemos que ia terminar assim, como se tivéssemos chegado junto do abismo, só para descobrir que já ali estávamos há tanto, tanto tempo, num equilíbrio instável.
Ah! Esta dor que não se mede, não se vê, mas que se agarra à pele de tal forma que não desaparecerá nunca mais! E ao nosso redor nada mais do que o silêncio, pesado e prenhe de sons. Houve tempos em que fomos só um, recordas-te? Em que o amor era suficiente. De que vale pensar nisso? Queria fechar os olhos e adormecer, num sono profundo que me trouxesse o esquecimento. Em vez disso sobram os dias e a obrigação de colocar a máscara e fingir que está tudo bem. Dizer Adeus é morrer por dentro.




