Don Manuel
Manuel Fraga morreu no Domingo passado. Foi um homem controverso. De Ministro de Franco, a fundador da Alianza Popular (hoje Partido Popular) e “Pai da Constituição de 1978”, Fraga passou e marcou a História dos últimos sessenta anos de Espanha. Em pleno franquismo, como responsável do turismo, converteu-a num dos principais destinos turísticos europeus, dando-lhe abertura e cosmopolitismo. Na transição conduziu a direita à democracia sem traumas, evitando que se criassem bolsas de resistência extremistas. Com Suarez, Gonzalez e Carrillo, e sob a égide da Coroa, foi um dos fundadores da Espanha livre, democrática e plural que hoje se conhece. Facto unanimemente reconhecido por todos, independentemente da perspectiva ou da posição política. Incansável trabalhador, de uma sólida cultura, com um feitio colérico e um verbo demolidor, Fraga gerou ódios e despertou arrebatadas admirações. Lúcido, sempre soube como servir Espanha. Abandonou a liderança do seu partido a favor de um jovem Aznar, porque, segundo os testemunhos ouvidos, considerava que o seu percurso político não seduzia o centro, essencial ao crescimento e consolidação do partido da direita democrática que ambicionou. Humildemente sucumbiu ao apelo telúrico e regressou à sua Galiza para a governar durante 16 anos, transformando-a numa das autonomias históricas mais prósperas de Espanha. Amigo de Portugal, homem de convicções, intelectual brilhante, polémico e combativo, deixou aquela marca da excepcionalidade que, infelizmente, se não encontra no horizonte político europeu desta última década. O seu percurso (e o de outros políticos seus contemporâneos) marca a diferença relativamente às lideranças de hoje. Outra era massa e outro foi o fermento!
Nesta coluna ignora-se o Acordo Ortográfico. Intencionalmente!





