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EDITORIAL

Não quer emigrar? Querem os seus pais

23 | 01 | 2012   19.17H
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

Isto está tudo trocado.  Os apelos não deviam ser à emigração dos mais novos, mas dos mais velhos. Isso mesmo. Aqueles que foram despedidos apesar da sua imensa vontade de trabalhar, os que se reformaram mais cedo, ou mesmo os que se reformaram na idade prevista, mas não querem ficar em casa de braços cruzados e, claro, todos aqueles que sentem uma vontade imensa de mudar de ares. Afinal todos os que buscam um projecto novo para (re)acordar a adrenalina, a aventura que os filhos pequenos não permitiram, e querem ver outros mundos.

Esta população, que os anglófilos chamam de “mature”, porque não é correcto apelidá-los de velhos, tem um potencial fantástico, dizem os especialistas: experiência, conhecimento, serenidade, e muitas vezes um pé-de-meia que lhes permite associarem-se a projectos de voluntariado. Além disso, são particularmente bem aceites pelos grupos que integram, que tendem a interagir melhor com alguém com alguns cabelos brancos do que com um jovem.

O que é facto é que a procura dos seus serviços é grande nos países em vias de desenvolvimento, nomeadamente em pequenas e médias empresas que precisam de apoio na gestão, e junto das ONG que dão apoio a nível da saúde, ensino, justiça e consultadoria. De tal forma que, por exemplo, a Global Relocation Services, uma agência de recrutamento britânica, revelou que, em 2011, 37% dos alocados tinham entre 40 e 49 anos e 19% entre 50 e 59, percentagens que aumentaram 2% em relação ao ano anterior. Quanto à Germany Senior Expert Service (SES), citada pela BBC, refere que a idade média das 10 mil pessoas colocadas é de 68 anos. 

O certo é que a força desta nova tendência já resultou na criação da Confederation of European Senior Expert Services, que reúne 22 organizações da UE, todas dedicadas a não deixar que a experiência e a sabedoria morram num banco de jardim. Ou seja, é só fazer as malas…

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