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HORA BOLAS

Na cruz de Eusébio

29 | 01 | 2012   18.21H
João Malheiro

Dia 24 de Janeiro. Encontro marcado, na Luz, junto à estátua do Eusébio. A equipa de reportagem da “Marca”, principal diário desportivo espanhol, era portadora de uma mensagem de Alfredo Di Stéfano. Conduzi-os até à “Tia Matilde”. Percebi, já com o Eusébio a meu lado, que o seu aniversário, no dia subsequente, marcava a agenda informativa nacional e até internacional.

Dia 25 de Janeiro. Repleto de incidências. Para assinalar os 70 anos, multipliquei-me em despesas de comunicação e apresentei uma nova versão da sua biografia. Texto original? Somente um, somente este: “O menino Eusébio, há meio século, chegou a Lisboa. Pouco mais que bebé, já injectado de benfiquismo pelo popular Zé das Barbas de Ponte da Barca, havia um João, que ainda não sabia que era Malheiro, mas logo ficou fascinado pelo seu novo ídolo. A aptitude emocional prosseguiu, até recrudesceu. Eusébio deleitava tudo e todos. Era hipnose, era rajada, era batuta, era sedução. Era o que outros não eram, o que os outros não conseguiam ser. Era um deus da bola. Anos volvidos, para aí há duas décadas, a cumplicidade entre nós começou, também recrudesceu. Tantas e tantas horas de convívio, tantas e tantas confidências, tantas e tantas partilhas. Mais emoções, algumas fúrias, sempre sintonias. Agora, Eusébio tem setenta anos. Ele diviniza a palavra saudade, ele é lenda, ele é mito. Agora, Eusébio tem setenta anos? É porque está ainda mais próximo da imortalidade”.

Dia 25 de Janeiro ainda. Festa única na Luz. Eusébio, familiares, amigos, antigos companheiros. Também a excelência das vozes do Carlos do Carmo, do Rui Veloso, do Camané, do Tim, do Paulo Gonzo. De mais artistas. De tanta gente que o admira, que o idolatra.

Dia 26 de Janeiro. Fatalmente, almoço com o Eusébio. E jantar? Com o Carlos Cruz, o Eusébio da televisão. Foram (muitas) horas que me remeteram para o mais belo da minha infância. Há dias que parecendo iguais são mesmo diferentes. E a diferença responde pelo nome de gratidão.

© Destak
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