Por favor não lhes roubem o recreio...
Descobrir o castigo certo para uma turma de crianças insubordinadas não é fácil, mas tirar da manga o “Hoje não há recreio” devia ser proibido. Talvez ache que isso é coisa do passado, mas infelizmente não é. Quem vá muitas vezes a escolas, sabe que ainda encontra trinta miúdos enfiados dentro da aula, a comer o “lanche” em cima das mesas, porque se portaram tão mal que ficaram privados de ir à rua.
Depois há os outros, aqueles que não têm espaço de recreio, ou apenas uma pequena amostra dele, uma varanda comprida onde se acumulam as diferentes classes, ou um pátio com uns escassos metros quadrados, e uma vedação alta a que nem sequer é permitido subir (sempre exercitavam os músculos na escalada). Para não falar na falta de recreios cobertos, o que significa que aos primeiros pingos de chuva, são todos obrigados a vir para dentro de casa.
A que se soma, por vezes, a ausência de aulas de educação física ou de qualquer coisa que se assemelhe, tendência que vai crescer com os cortes nos custos e nos professores. E no entanto, sabe-se que as crianças precisam de brincar para aprender, que o exercício físico estimula a concentração, que é preciso gastar energias para suportar os tempos de aula, para não falar de que é no recreio que ensaia as regras do jogo da sociabilidade e do trabalho em equipa. Crianças que vivem em casas pequenas, e não podem brincam na rua, ainda precisam mais desta dose de liberdade. Por isso, sim, os recreios são uma prioridade, que exige mais imaginação do que dinheiro. Para depois não virem dizer que são obesos, indisciplinados e hiperactivos.





