O futebol faz-me pagar mais impostos
Basta ler as letras gordas dos jornais desportivos e ouvir a conversa de alguns especialistas, para estar a par de que o Sporting está em falência técnica, o Benfica pode ir pelo mesmo caminho e suponho que todos os outros “grandes” clubes têm a coluna do Deve bem mais longa e pesada do que a do Haver.
Porque na do Deve estão milhões de euros, e são mesmo milhões, que há anos não pagam ao Estado, já nem quero saber dos outros credores. Não pagar ao Estado significa
basicamente que não nos pagam a nós, deixando pensões, reformas, subsídios e apoios à míngua de financiamento, e sendo que o dinheiro do jogo financia misericórdias e assistências sociais, são mais uma vez os mais pobres aqueles a quem o comportamento “caloteiro” dos grandes clubes afecta numa primeira linha.
Sinceramente não sei o suficiente da contabilidade do futebol para entender de onde vem o buraco financeiro, muito anterior à actual crise, e não quero entrar na conversa primária do “ah, etal, se não pagassem tanto aos jogadores”, porque entendo que há uma lógica de negócio que passa por aquelas transacções, acreditando que dentro da lei da oferta e da procura que rege aquele mercado, como todos os outros, cada umganha o que vale (pelo menos é o que diz o Dr. Catroga, emdeclaração feita a propósito do seu vencimento na EDP), mas o que me pergunto é porque é que o Estado é tão condescendente quando são estes os maus pagadores.
É verdade que o futebol é o divertimento das massas, e que quando não há pão, dá-se circo ao povo, mas se esses adeptos perceberem que em cada bilhete que compram pagam o seu custo fácil, mais todos os aumentos de impostos que a situação dos seus clubes impõe ao País, talvez percebam que o futebol lhes está a sair caro de mais. Se não entenderem, então que se aplique o princípio do pagador-utilizador, e todos os adeptos paguem pelo menos os meus impostos.




