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OPINIÃO

Marshalsea

09 | 02 | 2012   18.28H
J.L. Pio Abreu

Marshalsea foi dada a conhecer por Charles Dickens e encerrada ainda durante a sua vida. Foi a mais conhecida das prisões inglesas para devedores, onde o pai do escritor esteve preso por uma pequena dívida. As prisões eram privadas e pagas pelos prisioneiros. Se não pagassem, eram relegados para pequenos quartos partilhados por mais de 20 presos, onde morriam à fome se ninguém os acudisse.

Pagando as despesas, os familiares dos prisioneiros podiam viver com eles e saíam para obter dinheiro. Os presos não podiam trabalhar, mas tinham de pagar o aluguer do quarto, a comida, a roupa, as despesas de tribunal e às vezes a libertação das grilhetas. A isso se juntavam os juros das dívidas, que iam subindo enquanto estivessem presos. De facto, o tempo de prisão dependia muito do capricho dos credores.

Charles Dickens trabalhou numa fábrica desde os 12 anos para sustentar a família prisioneira, até que uma herança a libertou da dívida. A mesma sorte não tiveram os dez presos que chegavam a morrer num só dia por não poderem pagar a comida. Em 1641 existiam em Inglaterra dez mil prisioneiros por dívidas, gerando à sua volta um florescente negocio. O negócio consistia em impedir que os devedores ganhassem dinheiro, de modo a ficarem mais endividados até serem espoliados e escravizados pelos credores e redes envolventes. Dickens ajudou a acabar com ele.

Mas não imaginava que o negócio da dívida renascesse, 200 anos depois, ao nível das nações.

© Destak

10 comentários

  • @lambada de acordo, mas olhe que o Márvio, a espaços, consegue ser melhor que alguns dos outros opinadores ...
    anónimo | 16.02.2012 | 16.49Hdenunciar comentário
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  • Ainda não pensaram despedir o "Márvio dos Anjos"? Nem dá para ler... nem comentar..
    LAMBADA | 15.02.2012 | 11.08Hdenunciar comentário
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  • Caro Pio, parabens. Como sempre retrata a realidade tal como ela é, e a verdade é essa, não nos querem deixar competir. Acontece na agricultura, na industria e no comercio. Todas as grandes benesses, apoios, contratos e afins são destinados aos grandes países, a nós só é pedida austeridade acima de austeridade que cada vez nos empobrecem mais e nos limitam as possibilidades de algum dia poder liquidar as contas, tornando-nos assim devedores eternos sem possibilidade de crescimento. Pena que os nossos governantes não tenham coragem de assumir esta realidade e de dar "um murro na mesa", contentam-se com esmolas que de favores não têm nada, senão vejamos os juros que pagamos, quase metade do valor da divida à troika. Costuma-se disser, quanto mais "bonzinho" (tipo Passos) mais enrrabado se é.
    pedro lindo | 12.02.2012 | 10.43Hdenunciar comentário
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  • Voltamos a poder comentar!!! O que aconteceu que nos privou de podermos, por quase um mês, comentar as crónicas do destak? Censura? Ou o eufemismo dos problemas técnicos? Sobre a Marshalsea, apenas uma muito boa lição de história. Obrigado. Sobre crónicas que são também lições de história aconselho as de Ferreira Fernandes no DN.
    Manuel Martins | 12.02.2012 | 01.10Hdenunciar comentário
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  • Funcionários públicos com remunerações inflacionadas, muitos direitos, bónus e privilégios, baixa produtividade, utilidade duvidosa e nenhuns objectivos a cumprir, funcionários públicos redundantes e excedentários até ao limite do absurdo, políticos com uma única missão que é sacar o máximo que poderem para eles e para os seus grupos de amigos e de interesses, fundos comunitários desbaratados, roubados e usados fraudulentamente em tudo o que se possa imaginar, desde uma plantação de oliveiras até a um pseudo-curso de formação profissional para adultos,... e muito mais haveria para dizer, mas só estes exemplos explicam porque é que os criminosos condenados e aprisionados são a ruína de uma sociedade inteira e hipotecaram o futuro de gerações vindouras.
    JMC | 11.02.2012 | 00.15Hdenunciar comentário
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  • Quando as coisas se tornam óbvias, evidentes para todos, só mesmo os muito imbecis não se apercebem delas. Está o mal feito, as coisas avançaram e instalaram-se, esforço seria agora necessário para não ver o que todos os dias nos passa à frente dos olhos. Pena que não se tenham visto antes as coisas antes delas se terem tornarem óbvias, para alertar e dialogar sobre elas. Seria dessa gente perspicaz e inteligente que os países urgentemente necessitariam, e não de meros confirmadores floreados do que é óbvio. Dizerem-nos que estamos no atoleiro depois de estarmos no atoleiro é uma pura verdade de La Palisse.
    LA PALISSE | 10.02.2012 | 16.42Hdenunciar comentário
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  • Doutor, era isso mesmo que nós precisávamos para este país de devedores corruptos. Adoraria ver nessa ou noutra cadeia esses célebres ministros do Cavaco, ele próprio, o Sócrates e tantos e tantos outros. Estamos como estamos, graças a eles. Apesar de tudo, eu seria mais tolerante e tirá-los-ia da cadeia desde que pagassem as dívidas, com os respectivos juros e indemnizações por danos causados. Para o Oliveira Costa bastaria, dez mil milhões, para o Duarte lima cinco mil milhões, para o Dias Loureiro dois mil milhões...., para o Cavaco só o dinheiro das mais valias das acções do BPN, a expulsão da presidência e as reformas de vinte anos (tantos quantos está na política a ajudar a destruir o país). Quanto ao Sócrates e seus comparsas obrigava-os a ler todos os clássicos e a fazer os exames, sem o que nunca seriam libertos. Já agora uma peninha para si, doutor: aturar todos esses malucos durante um ano no presídio.
    MILA | 10.02.2012 | 14.35Hdenunciar comentário
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  • Excelente e pertinente reflexão ... Como a arte pode ser posta e intervir no favorecimento do Homem ... sem ser estéril... Exploração como factor de desumanização que escraviza ... o capitalismo a fazer cada vez mais vítimas ... A sabotagem é uma dado adquirido de todas as vias e ideias para Reinventar ... debilitando o crescimento de outros países que se projectam ou em vias de se projectar... e parecem Abutres à espera ... A era que não se rege pelo principium individuationis ... A alienação, em relação à exploração capitalista, tapa a visão do homem para que ele não compreenda ... Num alerta a todas as consciências, pois que, ainda que vivamos no século XXI, a exploração do homem pelo homem está longe de acabar, embora as circunstâncias sejam diferentes…
    Marluz | 10.02.2012 | 13.54Hdenunciar comentário
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  • E se calhar este tipo de "prisão" persiste aos dias de hoje! Quem sabe se não somos apenas consumidores/devedores até ao fim das nossas vidas? Continue JL. Creia que as suas crónicas já são um marco sério neste país.
    anónimo | 10.02.2012 | 09.18Hdenunciar comentário
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  • Caro JLPA . . . ! É verdade . . . ! A história repete-se . . . ! Mas, repare que . . . ! As "malguinhas" .. . ! Continuam a gostar . . . ! Da "caldeirada" . . . ! É DA TRADIÇÃO . . . ! ! !
    alexandre barreira | 10.02.2012 | 07.06Hver comentário denunciado
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