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EDITORIAL

O seu médico diz-lhe toda a verdade?

09 | 02 | 2012   21.00H
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

Os médicos mentem mais do que os doentes imaginam, é a conclusão de um inquérito a 1891 médicos norte-americanos, publicado pela Health Affairs, e divulgado pela Time. Os doentes portugueses não serão tão ingénuos como os dos EUA, que parecem ter ficado verdadeiramente chocados com a revelação, e é claro que podemos sempre partir do princípio de que os nossos são mais honestos do que os deles, mas vale a pena espreitar os resultados.

Primeiro as “mentiras brancas” dos senhores de bata branca, ou seja aquelas que alegadamente são a bem do doente: 55% dos médicos afirma que já fez um prognóstico mais optimista do que aquilo em que realmente acreditava. Cerca de 10% chegaram mesmo a dizer coisas que sabiam não ser verdade. Embora o código deontológicos defenda que o doente tem direito a saber tudo, fazem uma interpretação mais lata das indicações recebidas, porque os querem poupar a choques com efeito negativo na sua saúde. Ou, talvez, porque lhes falte a coragem.

Mais complicado de defender são os 30% de clínicos que defendem que o médico não deve comunicar ao doente, um erro médico sério. Que o digam todos os que foram vítimas de uma falha e se arrastam em tribunal para a provar. Igualmente preocupante é o facto de 40%, ou seja quase metade, sentir que não tem qualquer obrigação de revelar ao doente as suas ligações, com direito a retribuição financeira, com laboratórios farmacêuticos ou outras empresas fornecedoras de material médico. A investigadora principal do estudo, professora na Harvard Medical School, disse-se “surpreendida”.

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