Amizade ou (ainda) mais
O episódio ocorreu o ano passado no meu jantar de aniversário. Numa festa com mais de duas centenas de convivas, um jornalista questionou. “Qual é o segredo para tantos amigos, tanta gente conhecida, tanta mulher bonita?”. Não hesitei, não vacilei, a resposta foi expedita e concisa. “É charme social”.
Terá havido imodéstia na coisa. Se calhar, sim; se calhar, não. Se calhar, calhou assim? Se calhou, calhou bem calhado. Calhou bem, porque a resposta foi sentida. Calhou bem, porque a resposta foi aplaudida. É que a seguir, no discurso de recepção, repeti a frase. Ouvi fartos aplausos e, ainda hoje, recebo muitos ecos daquele dito, esse do “charme social”.
Lembrei-me da expressão esta sexta-feira, um dia muito especial. Dia de aniversário, por absoluta coincidência, de muita gente amiga. Do Toy, do Chalana, da Florbela Queiroz, da Valentina Torres, da Paula Magalhães, do canoísta José Garcia. “Todo o meu património são os meus amigos”, alguém escreveu. “A vida nada é sem a amizade”, li em Cícero. “O que é um amigo? É uma alma que vive em dois corpos”, amestrou Aristóteles.
Há dois dias, na paisagem da Margem Sul, almocei com o Toy e jantei com o Futre. Ao telefone, o desfile foi interminável. Foi Eusébio, foi Artur Jorge, foi Toni, foi Chalana, foi Carlos Manuel, foi Mário Wilson, foi Manuel José. Foram todos esses e mais ainda. Vinícius de Moraes “poderia suportar, embora não sem dor que tivessem morrido todos os seus amores, mas enlouqueceria se morresses todos os seus amigos”. Eu também.
E o tal “charme social” é muito sentimento. É muito uma dádiva permanente de sentimento. Como resistir, sem emoção, através do meu portátil, à conversa do Paulo Futre com o Artur Jorge? Orgulhosamente, só com reforçado charme social…




