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D'ALÉM MÁRVIO

Amenidades linguísticas e outros bla-bla-blás

14 | 02 | 2012   21.45H
Márvio dos Anjos | marviodosanjos@gmail.com

Suspensas as greves dos policiais militares do Rio de Janeiro e da Bahia, só nos resta falar sobre amenidades, ou sobre aquela conversa pela qual cada português obrigatoriamente terá que passar dezenas de vezes sempre que aqui pisar: a língua.

(Há ainda uma outra conversa sobre piadas que também se faz rotineira entre portugas e brasucas, mas essa prometo abordar outro dia. Faltam-me algumas boas para contar no momento). 

Mas enfim, falávamos da pátria de Fernando Pessoa, e na semana passada, coube ao André, publicitário lisboeta, debater com uma mesa de brasileiros por que falamos de formas tão diferentes.

Já vi essa discussão várias vezes: tenho algumas teorias na manga e acho que quase tudo é culpa da França. Creio que foi a ocupação napoleônica que vocês sumiram com as vogais que nós amamos, enquanto a vontade carioca de ser Paris, no início do século 20, manteve nos habitantes do Rio esse “r” soproso e áspero, quase um “ch” alemão. Não comprovo nenhuma dessas teorias por pura preguiça.

E também porque sempre me deu a impressão de que essas conversas sobre sotaques são chatíssimas. Mas o acordo ortográfico reavivou-nos essa paixão linguista, e reavivando os embates da língua de Camões com a de Caetano. No fim, quase tudo se resume a mais ou menos vogais. Queres ser entendido quando falas aqui, pá? Capricha nas vogais que te compreenderemos melhor.

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