Amenidades linguísticas e outros bla-bla-blás
Suspensas as greves dos policiais militares do Rio de Janeiro e da Bahia, só nos resta falar sobre amenidades, ou sobre aquela conversa pela qual cada português obrigatoriamente terá que passar dezenas de vezes sempre que aqui pisar: a língua.
(Há ainda uma outra conversa sobre piadas que também se faz rotineira entre portugas e brasucas, mas essa prometo abordar outro dia. Faltam-me algumas boas para contar no momento).
Mas enfim, falávamos da pátria de Fernando Pessoa, e na semana passada, coube ao André, publicitário lisboeta, debater com uma mesa de brasileiros por que falamos de formas tão diferentes.
Já vi essa discussão várias vezes: tenho algumas teorias na manga e acho que quase tudo é culpa da França. Creio que foi a ocupação napoleônica que vocês sumiram com as vogais que nós amamos, enquanto a vontade carioca de ser Paris, no início do século 20, manteve nos habitantes do Rio esse “r” soproso e áspero, quase um “ch” alemão. Não comprovo nenhuma dessas teorias por pura preguiça.
E também porque sempre me deu a impressão de que essas conversas sobre sotaques são chatíssimas. Mas o acordo ortográfico reavivou-nos essa paixão linguista, e reavivando os embates da língua de Camões com a de Caetano. No fim, quase tudo se resume a mais ou menos vogais. Queres ser entendido quando falas aqui, pá? Capricha nas vogais que te compreenderemos melhor.



