Carnaval
Este ano não há Carnaval. Como é que podia haver? Então vêm aí os senhores da troika trabalhar para o nosso bem, eles que não conhecem fins-de-semana nem férias, quanto mais feriados, e eles a trabalhar e nós na folia? E eles, pobres e esforçados, a fazer as contas que nós não sabemos fazer, quando fossem ali à tasca da esquina comer o seu pãozinho, vejam lá, eles que não têm tempo nem dinheiro para comer uma refeição normal, chegavam à tasca e batiam com o nariz na porta porque os empregados se tinham ido alambazar para os festins do Carnaval.
O que havia de dizer a senhora Merkel, nossa protectora e benemérita, que não tem mais distracção do que aquela de se encontrar de vez em quando com o senhor Sarkozy, que diria ela depois de ter ido pedir dinheiro aos chineses para nos dar e nos visse a sambar pelas ruas? E se passasse um cortejo, ela que anda tão magrinha por causa da austeridade, ainda se via com a forma de um barril, talvez a puxar pelos fios de uma marioneta que era o seu amigo francês.
E o nosso Primeiro também podia aparecer nos corsos a amochar com a senhora Merkel, a troika e os Mercados, e a fazer-se galarote para a populaça. Ainda se riam dele, ele que faz aquela cara circunspecta para nos pedir suor e lágrimas. E ele, coitadinho, que para ter boa nota faz tudo o que lhe mandam e mais ainda à sua conta, levava, mas era um puxão de orelhas dos estrangeiros.
Bem, este ano não há Carnaval, e é melhor que seja assim.





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