Carnaval de namorados
Na manhã de São Valentim, uma amiga chutou com esta engraçada. “E por que não comemorar o dia dos ex-namorados?”. Chutou forte e chutou com a bola da imaginação, talvez mesmo com a bola da razão. Afinal, na actualidade, as relações são tão efémeras que bem merecem ser celebradas, ainda que depois de concluídas com maior ou menor dramaticidade.
A vida sentimental tem tudo a ver com o futebol. Os treinadores, sobretudo eles, começam sempre por ser namorados. Têm direito ao seu São Valentim, às vezes mais prolongado no tempo, com muitas juras de fidelidade e de amor à mistura. Só que depois, como de resto esta semana, acontece um qualquer Carnaval e as máscaras da animosidade batem massivamente as caras da bondade.
Que se passou no Sporting? Domingos Paciência teve o seu São Valentim, mas não resistiu ao Carnaval da impaciência. Na bola não se namora, na bola só se enamora pelos resultados. Alvalade virou amor agitado, amor magoado, amor pisado. E quais vão ser as consequências do amor exaltado? Em Alvalade, vive-se namorada saudade por tempos irrepetíveis, pelo menos a breve trecho. É que no amor não há milagres, milagre (ou quase) é mesmo o amor.
Sá Pinto entregou-se à tarefa carregado de energia sentimental. Vive o seu São Valentim. Até merece, tanto amor vem confessando pelo Sporting. E se não garantir o terceiro lugar na Liga? E se não vencer a Taça? Pode preparar-se para o Carnaval da intolerância.
No futebol, a bola rola muitas vezes de forma ímpia. Na vida, a bola também rola muitas vezes de forma ímpia. Por essa razão é que, no futebol ou na vida, o São Valentim não passa de uma bola sempre na antecâmara de um Carnaval madrasto.






