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D-ALÉM MÁRVIO

Lusa e brasileira, só não sabia o quanto

21 | 02 | 2012   18.53H
Márvio dos Anjos | marviodosanjos@gmail.com

Maria Bebiana, minha avó paterna, emigrou ao Brasil na adolescência e viveu no Rio até perto de completar os 80 anos. “Quero morrer em Gouvinhas”, disse-nos, referindo-se à aldeia no Alto Douro, onde hoje vive. Era lisboeta, mas nunca se esqueceu dos sobreiros das terras em que cresceu. Era brasileira também, mas ainda não tinha percebido o quanto.

Dona Bibi apresentou-me a Lisboa em 2001 e, depois que perdera a bolsa num táxi, tivemos que ir ao banco para cancelar seus cheques. Chegamos à agência na avenida da Liberdade antes que abrisse; havia umas quatro pessoas à frente de nós, todas mais jovens que ela. Ao abrir das portas, Bibi correu o suficiente para ultrapassar os enfileirados e chegar em primeiro ao atendente.

O líder da fila, um homem indignado de uns 40 anos, deu-lhe um sermão: “Respeitinho é bom, e eu gosto”. “E eu sou uma idosa!” – retrucou. Ela estava acostumada às filas preferenciais de bancos e supermercados brasileiros para maiores de 65 anos, que gozam de outros direitos.

Aqui, os transportes urbanos coletivos são gratuitos para eles; além disso, pagam metade do preço de entrada em espetáculos. Em Portugal, onde a população idosa é proporcionalmente maior, não faz sentido tantos privilégios. Difícil foi convencê-la, através de dados demográficos, da perda dos direitos adquiridos...

1 comentário

  • Oi, amigão! Em Gouvinhas não tem sobreiros. Sobre diferenças entre Brasil e portugal nem vale a pena falar. Elas são tantas! Verdade que agora até já existem lá estacionamentos preferenciais para idosos. Lá tudo é preferencial e são mais as excepções do que as regras. Há dias, dizia-me um amigo que apesar da crise antes queria a crise da Europa do que a bonança do Brasil. Por acaso, discordo. O Brasil sempre foi e continuará a ser uma terra de oportunidades para quem tiver uns trocados e quiser trabalhar. Por outro lado, é para esse destino que se evadem os corruptos e perseguidos pela justiça para se juntarem aos muitos que já lá existem. Desses o Brasil não precisa.
    DIANA | 24.02.2012 | 18.11Hdenunciar comentário
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