A subserviência
Uma das coisas que não suporto é a subserviência. O subserviente é apenas um bajulador. Quem não for capaz de o reconhecer é porque está inebriado pelos bajuladores que o cercam, e deles precisa para se sentir importante. Quem acredita nos subservientes não é muito dotado. Se o fosse, saberia que eles fazem figas atrás das costas e só esperam pela oportunidade de destruir aqueles que serviram.
Mas o grande problema é que os subservientes, quando instalados no poder, tendem a pedir subserviência aos que estão sob a sua alçada. E a cadeia prolonga-se por aí abaixo, secando tudo o que foge à regra. A subserviência gera mediocridade e também é filha dela. Tão medíocre é o subserviente, que não tem outros recursos para ser reconhecido, como aquele que o aceita, que, sem nada perceber da natureza humana, acredita nas patranhas bajuladoras.
O subserviente está sempre à espera que alguma coisa lhe caia do céu. Ele nada cria, nada produz, só se reproduz. Instalado no poder, promove a mediocridade e gera desespero. Mas o desespero também gera subservientes. O triângulo infernal fecha-se assim, e assim nos consome sem apelo nem agravo. São estes os nossos tempos, os tempos austeros inventados pelos financeiros com a ajuda dos políticos conservadores. Sem ruídos, sem bandeiras nem clarins, mas tão devastadores como são os tempos de guerra. Só que é uma guerra sem honra nem glória.






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