O porquito
Parece que os pacotes lá vão seguindo para a Grécia a tempo de salvar o Euro e o sistema financeiro internacional. E já se sabe que à cabeça vai o dinheiro para pagar alguns dos juros de que os seus credores, em especial os eleitores da senhora Merkel, tanto precisam. Mas parte da dívida já foi perdoada pelos Bancos privados, e os juros dos novos pacotes são tão reduzidos que não chegam para cobrir a inflacção inevitável. A mesma sorte não tivemos nós, com um governo mais papista do que o Papa e que trabalha insanamente para ser bem visto pelos alemães e especuladores internacionais.
Não sei porquê, isto lembra-me uma história contada há uns anos, no tempo em que não existiam os hospitais de hoje nem o acesso generalizado aos serviços de saúde. Era a história de um médico ganancioso, mais ganancioso do que médico, que foi chamado a uma casa perdida nos montes para ver um idoso pobre acamado.
Feita a consulta, não pôde fazer muito mais porque a doença era miséria. Mas quando ia para receber os seus honorários, ficou a saber que o doente não podia pagar. Desolado, o médico saiu de casa e ficou a contemplar a paisagem. Paisagem de miséria, note-se. Conseguiu porém vislumbrar um porco que, como tudo por ali, estava magro pela carência. Os olhos do médico iluminaram-se então. Voltou-se para a família e sussurrou: “bem, ao menos, o porquito”. E lá levou o porquito.
Nós ainda temos um porquito para oferecer, os gregos já nem isso têm.



17 comentários