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EDITORIAL

TGV : não repitam os mesmos erros

25 | 03 | 2012   20.06H
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

Persistimos em não aprender nada com a História. Agora é o TGV. Depois de anos de discussão é anunciado que foi chumbado o projecto. Sem dinheiro para nada, e face aos sacrifícios pedidos aos portugueses, conclui-se que não é o momento de investir em grandes obras, apesar do que se vai perder do financiamento externo que já estava garantido. Tudo bem.

Em boa fé, presume-se que alguém tenha feito as contas. Coisa diferente, e que parece absurda, é a proposta que surge para substituir a primeira, no velho hábito das meias-tintas. Dizemos adeus à Alta Velocidade, e ficamos com a Velocidade Alta, uma “especialidade” só nossa, em paralelo no resto com da Europa, à revelia até dos nossos vizinhos espanhóis, que optaram pela cobertura do TGV.

A opção é ainda mais escandalosa, tendo em conta que é uma “jogada a papel químico” do erro cometido por Franco e Salazar, que “orgulhosamente sós” optaram por uma bitola (a largura entre os carris) diferente da dos outros países europeus (nós escolhemos a larga, eles usam a estreita), numa tentativa de isolar a Península Ibérica, marcando de forma mais intransponível as fronteiras – um comboio vindo de fora era obrigado a parar ao chegar a Espanha, sendo necessário descarregar a mercadoria e voltar a carrega-la num comboio ibérico, acontecendo o mesmo na direcção contrária!

Hoje a diferença de bitolas é apontada com uma das razões do nosso atraso económico, já que tornou mais difíceis e mais caras as trocas comerciais com os outros países. É extraordinário que em 2012 os nossos decisores políticos, nos anunciem alegremente que se preparam para tomar uma opção que resolve apenas um problema imediato, sem antever que no futuro alguém vai ter de pagar por este erro, como nós pagámos o dos nossos antepassados. A única coisa que podemos pedir é que fiquem quietinhos, até terem recursos para fazerem bem.

© Destak
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