Dimitris Christoulas
Asaída da Grécia do Euro será trágica para a Europa. Para a maioria dos gregos, fartos de austeridade, pode ser a melhor solução, e por isso votam nos partidos radicais. Aqueles que tinham dinheiro já trataram de o colocar em lugar seguro, talvez mesmo nas mãos dos “investidores” que atacam o euro e a Grécia. Se o valor da nova moeda descer para um terço, o dinheiro posto a salvo será muito mais proveitoso.
Os que nada têm, com nada ficarão, para já. Os que ainda trabalham verão salários e preços reduzidos, mas podem vir a beneficiar da competitividade. Os mais qualificados vão emigrar, alguns com o patrocínio das multinacionais que se vão instalar na Grécia. Os políticos radicais de hoje serão os empresários futuros, porventura beneficiando do dinheiro posto a salvo e dos recursos que agora se vendem ao desbarato.
Mas uma geração será definitivamente trucidada. Nascida durante a guerra e criada nos valores da dignidade e da honra, agrupa aqueles que enfrentaram os militares e fizeram a revolução democrática. Desdenharam dos oportunistas, trabalharam honestamente, pagaram impostos e acreditaram num mundo melhor. São agora avós e recebem a pensão que pagaram durante a vida. Já não podem trabalhar nem emigrar. Vão perder tudo e ninguém se rala, porque as gerações mais novas os culpam do despesismo de quem os seguiu. O seu símbolo é Dimitris Christoulas, um farmacêutico de 77 anos que se suicidou à frente do Parlamento Grego.




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