ESTRANHO QUOTIDIANO

Dimitris Christoulas

17 | 05 | 2012   18.30H
J.L. Pio Abreu

Asaída da Grécia do Euro será trágica para a Europa. Para a maioria dos gregos, fartos de austeridade, pode ser a melhor solução, e por isso votam nos partidos radicais. Aqueles que tinham dinheiro já trataram de o colocar em lugar seguro, talvez mesmo nas mãos dos “investidores” que atacam o euro e a Grécia. Se o valor da nova moeda descer para um terço, o dinheiro posto a salvo será muito mais proveitoso.

Os que nada têm, com nada ficarão, para já. Os que ainda trabalham verão salários e preços reduzidos, mas podem vir a beneficiar da competitividade. Os mais qualificados vão emigrar, alguns com o patrocínio das multinacionais que se vão instalar na Grécia. Os políticos radicais de hoje serão os empresários futuros, porventura beneficiando do dinheiro posto a salvo e dos recursos que agora se vendem ao desbarato.

Mas uma geração será definitivamente trucidada. Nascida durante a guerra e criada nos valores da dignidade e da honra, agrupa aqueles que enfrentaram os militares e fizeram a revolução democrática. Desdenharam dos oportunistas, trabalharam honestamente, pagaram impostos e acreditaram num mundo melhor. São agora avós e recebem a pensão que pagaram durante a vida. Já não podem trabalhar nem emigrar. Vão perder tudo e ninguém se rala, porque as gerações mais novas os culpam do despesismo de quem os seguiu. O seu símbolo é Dimitris Christoulas, um farmacêutico de 77 anos que se suicidou à frente do Parlamento Grego.

© Destak

8 comentários

  • É deplorável o cenário da Grécia ... Tal como cá a Corrupção e os interesses instalados ... foi praxe durante anos ... E agora são os cidadãos que pagam toda a incompetência de políticos que para mim são "Velhos do Restelo" que continuam com dogmas ... pântanos e podridão... A par disso Externamente temos uma Europa e a Alemanha que mais parece um "Cavalo de Tróia" ... e assistimos a um dramático empobrecimento das pessoas que cada vez mais estão sob agentes do medo que lhes corrói a Esperança ... Esperança na qual o Dimitris Christoulas deixou de ter e que o desespero o levou a cometer o acto ... mas como ele já outros o fizeram no anonimato... A Grécia é uma mescla de dinastias inclusive Chineses ... bem como grupos com privilégios de não pagarem em impostos ... É tal encruzilhada que ao reflectirmos nos traz uma confusão sem precedentes ... Os titãs do capitalismo e deuses financeiros são de facto assombrosos que governam e a crise é um Fantasma sempre presente neste povo e País onde nasceu a Democracia...onde existe fome... pobreza... Se entendermos a Grécia hoje presente podemos compreender-nos a nós ... a Europa e os Tempos...em templos Capitalistas ... Neoliberais ...e o futuro ...
    Marluz | 24.05.2012 | 11.23Hdenunciar comentário
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  • O cenário é possível !Apenas me espanta os adjectivos utilizados pelo autor, tão severo para com uma geração, que agora admite, ter sido enganada.Não se preocupe D.Pio,os Deuses não estão loucos,ainda ...
    Zeus | 23.05.2012 | 14.22Hdenunciar comentário
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  • Do neoliberalismo ao neocolonialismo: http://youtu.be/Qam7h1jMIwI
    dividocrata | 19.05.2012 | 16.29Hdenunciar comentário
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  • Cuidem-se porque o Relvas anda por aí. Não tenham cuidado com o que escrevem e serão sodomizados numa qualquer loja maçónica. Ih, hi, hi...
    SINA | 19.05.2012 | 11.42Hdenunciar comentário
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  • Não sei se deveremos reduzir este problema "só" á questão das gerações. Se calhar o modelo já não serve. Nem o financeiro, nem o económico, nem o social, nem o político, nem o cultural, nem ....
    anónimo | 18.05.2012 | 14.54Hdenunciar comentário
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  • Carlos Alberto Dias, o da Idealmed, é um investidor. Investiu do próprio bolso, por sua conta e risco, esperando obter um justo retorno do valor comercial das suas ideias. O seu dinheiro poderia estar parado num local seguro, mas ele, como tantos outros investidores, decidiu criar valor, dinamizar a economia, esperando obviamente obter um retorno. Todos (sejam milionários ou remediados) devem ter direito a receber juros, lucros ou dividendos por cada unidade monetária que colocam ao dispor dos agentes económicos que por sua vez têm as competências e os meios para criar valor e conduzir um negócio, mas que geralmente não têm à sua disposição todo o capital de que necessitam para desenvolver a sua actividade. Aqui entram as bolsas de valores, o capital de risco, os bancos e os magnatas individuais, como o Carlos Dias. Se estes negócios não derem lucro, eles perdem e o seu risco não compensou. O custo de oportunidade de terem usado o mesmo dinheiro noutra coisa alternativa, como por exemplo um castelo em França, toneladas de barras de ouro ou inúmeros títulos do tesouro da Alemanha, terá sido elevado. Com o Estado é exactamente a mesma coisa, mas os "investidores" são todos os cidadãos porque pagam toda a sorte de impostos, contribuições e taxas (será o seu investimento) na esperança justa de obter um retorno, que são o que oferece o SNS, os tribunais e as polícias, as escolas e universidades, e a Segurança Social. Se o "investidor"-cidadão vê que o seu "investimento" foi mal gerido e o "negócio" dá prejuízo e vai ter de encerrar, porque o dinheiro foi todo derretido em funcionários excedentários-inúteis, densas redes de auto-estradas, elefantes brancos de pedra e betão e mordomias e luxos imorais para uma classe dentro da sociedade que obtem todos os seus recursos do Estado, o tal cidadão-"investidor" fica, obviamente desiludido e com motivos para se revoltar e exigir responsabilidades.
    JMC | 18.05.2012 | 12.13Hdenunciar comentário
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  • Caro doutor, não se iluda. Nas próximas eleições gregas vão ganhar os mesmos de sempre. Os ditos estremistas, quiça, os únicos com alguma visão estratégica vão ser esmagados. Não sei se será melhor se pior para os gregos, para a Europa ou para o Mundo. Uma coisa eu sei e estou seguro: o Euro nesta Europa não federada e, sobretudo, com estes políticos e estas políticas terá o seu fim a breve prazo. Quanto aos gregos emigrarem em massa, jamais. Vão para onde? Quem os quer? Quais as referências e ligações deles no mundo moderno? Nós, portugueses, temos a língua, a cultura, as ex-colónias e outros destinos onde somos bem aceites. Mas os gregos? Ninguém quer ver-se "grego" com eles. Entendo e pressagio que a sua única solução é mesmo mergulhar no charco. Acho que os ricos da Europa não estarão dispostos a atribuir-lhes um rendimento social vitalício. E nós, que futuro? Fundamentalmente, temos que mudar de políticos. É necessário o surgimento de uma nova ordem. É imperioso alterar esta estrutura de poder assente nos partidos políticos, verdadeiros antros de compadrios e corrupção. Desta forma, talvez tenhamos uma nova oportunidade. Sem essa mudança, auguro maus tempos para o nosso povo. Seria bom que os partidos políticos se regenerassem e alterassem as leis, particularmente as eleitorais. Não o fazendo, só nos restas uma nova revolução. Note-se que a economia deste país é encabeçada, na sua maioria, pelos antigos senhores do ex-primeiro ministro Cavaco Silva e alguns, poucos, do PS. Agarram-se como lapas aos seus tachos e de lá não saiem mais. O que mais me custa é que o povo português pague tudo isso e esses senhores fiquem impunes e com um vasto património sacado, de uma forma ou de outra, a este povo humilde, dedicado e trabalhador. E, agora, os sacrifícios para pagar o que eles roubaram e continuam a extorquir, são só para os outros. Este estado de coisas não pode perdurar. Acima de tudo, faça-se justiça!
    FIFI | 18.05.2012 | 08.12Hdenunciar comentário
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  • Caro JLPA . . . ! Deixe lá, homem . . . ! Não se "rale" tanto . . . ! Porque as "malguinhas" . . . ! Adoram tudo . . . ! Que meta "caldeirada" . . . ! E os "drakmas" . . . ! E "escudos" . . . ! Ainda vão ser . . . ! O "nectar dos deuses" . . . ! ! !
    alexandre barreira | 18.05.2012 | 06.58Hver comentário denunciado
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