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EDITORIAL

O pai não quer saber dos filhos

14 | 07 | 2008   08.54H
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

Uma coisa é a "silly season", em que se vão buscar umas parvoíces para encher as páginas. Outra é a maldade, o terrorismo psicológico e o abuso dos direitos das crianças.

Na fila do supermercado, fiquei em estado de choque com a capa de uma revista "cor-de-rosa", em que se lia «Paulo Sousa: não quer saber dos filhos.» Uma afirmação peremptória que, não sendo atribuída a ninguém, se presume ser conclusão da revista. Para agravar, num canto "oferecia-se" a fotografia de duas crianças, dizendo a legenda: «O ex-jogador só tem olhos para a filha da actual mulher.» Explodi de indignação: onde anda o Ministério Público e as Comissões de Protecção de Menores?

Na "história" que se segue, tanto o pai como a mãe destas crianças se recusam a comentar a "notícia", que aparentemente resulta do diz-que-disse, e de coscuvilheiras não identificadas.

Descrevem-se episódios sórdidos, intrigas de família e por aí adiante, sendo os destaques mortais: «Com a enteada (....) desempenha na perfeição o papel de pai», «No dia do aniversário mandou a empregada entregar o presente».

Numa clara falta de respeito pela criança de 13 anos, aproveitam para revelar, também, os seus «fracassos»: «Por causa da instabilidade emocional, tem tido dificuldades no aproveitamento escolar.» O de 5 anos, que felizmente não deve saber ler, tem direito a ficar a saber que «o pai pôs em causa a paternidade do filho».

As fotografias, sempre de cara descoberta, multiplicam-se, todas de arquivo, mas colocadas como se as "partes" tivessem colaborado na "reportagem".

Segue-se o "parecer" de um pedopsiquiatra, que faz o seu diagnóstico em público! Senhores, que raiva. Não me interessa minimamente saber o que é verdade e o que não é. Isso cabe aos tribunais. O que me indigna é a falta de ética que leva a esparrachar a vida de dois menores, nas páginas de uma revista.

Dizer que um pai não ama os filhos e prefere uma enteada é, além do mais, não conhecer nada do coração do ser humano. Este tipo de divórcios são, já de si, absolutamente trágicos para os filhos, mas como é possível expô-los? Não tenho dúvida de que é crime.

© Destak

8 comentários

  • Não leio essas revistas, mas sei que Paulo Sousa faz mal em estar calado. Ele anteriormente, disse que tinha pena de só ver os filhos de 15 em 15 dias por decisão de tribunal e devido à mulher, os tais 4 dias por mês. Recordo-me. E na altura a Imprensa não lhe deu apoio e ele não fez finca pé. Seguiu a vida , só que a vida não é mais o que era. Vejam o Ronaldo. Como não foi ajudado, agora é culpado pela mesma imprensa. Se ele se cala novamente, tal como muitos pais nessa posição mas ele é figura pública, ficará muito mal visto. Evidente que essas revistas querem é vender com o assunto, mas ele devia saber com quem se aconselhar e responder que o staff dele só lhe vai dizer para deixar passar. Mas não passará, porque estes assuntos estão na moda.
    Manuel Marques | 18.07.2008 | 18.38H
  • Isto é normal. A Federação Portuguesa de Futebol também não quer saber dos seus clubes. So quer é fruta. Absolutamente escandaloso !!!
    Tripeiro Bermelhinho | 15.07.2008 | 23.55H
  • Caro Luis Cunha, não dizer mal do pai biológico não significa não tomar partido. Ao defender o "amor" (que amor podem ter os pais afectivos que fogem com a criança à justiça há longos anos?) em vez da "lei cega" está a tomar-se partido por uma das partes. Sucede que a lei não é cega neste caso: aos nove meses de idade, foi determinado que a criança fosse entregue aos cuidados do pai. Desde aí tem-se travado uma batalha judicial que demonstra a incapacidade da nossa justiça em concretizar alguma coisa em tempo. Esse arrastar do processo conduziu, naturalmente, a que se criassem laços entre a menina e quem dela cuidava. Só que são laços falsos, baseados na fuga à justiça e ao pai biológico. E isto nem sempre é dito, sobretudo quando só se defende o "amor".
    Ah pois é! | 15.07.2008 | 12.29H
  • Tenho seguido atentamente os comentário de Isabel Stilwell ao caso Esmeralda e acho que estas criticas não se aplicam de forma nenhuma. Nunca a vi dizer fosse o que fosse do pai biológico, bem ou mal, ou do pai afectivo - recusou-se mesmo a fazer dele um herói como, a certa altura, foi moda. Falou sempre, e isso sim, na falta de senso de uma Justiça que parecia não ter em conta o superior interesse da criança, que independentemete dos erros cometidos - aliás com a conivência do próprio Estado - vivia há cinco anos com uma mãe e um pai, da qual a queriam separar, como se fosse possível arrancar por decreto as pessoas importantes da nossa vida. Pelo que entendi, e se a senhora me ler que me desminta, sempre defendeu que se deveria lidar com este caso como um divórcio, em que obviamente a criança tinha que ter contacto com as duas partes. O que me pareceu não concordar reiteradamente, e em muitos outros casos de que falou, foi da ideia de que basta ser pai, ou mãe biológica para ter direitos sobre os filhos. Mas concordo que o que se passa nestas revistas cor-de-rosa, passa-se porque há jornalistas com uma total falta de ética.
    Luís Cunha, Lisboa | 15.07.2008 | 09.53H
  • Existem 200.000 crianças(estimativa por defeito) em Portugal nestas condições.Felizmente o nosso Governo com o apoio de toda a esquerda progressista fez agora uma revisão do Código Civil que vai acabar com este genocídio.Nem uma linha..... Uma total indiferença naqueles que se dizem progressistas e amigos dos fracos.Note-se que o Partido que se interessou mais por este tema foi(pasme-se)o PP, alguns deputados do PSD e PS. Acho muito bem que a imprensa côr-de-rosa esponha a podridão deste país.E também acho muito bem que os nossos intelectuais de esquerda digam mal da imprensa côr-de-rosa.Porque no fundo vieram do mesmo ventre.
    joão gomes | 14.07.2008 | 14.02H
  • Cara Isabel, Concordo plenamente com o que escreveu. Também eu fiquei indignada com tamanha crueldade, e posso afirmar-lhe que não sou a única a demonstrar tal reacção. Não posso, no entanto, deixar de concordar com o comentador SLB, quando ao caso da Esmeralda. Efectivamente, também a Isabel e o resto dos media tomaram partido por uma parte do litígio, sem saber os pormenores do caso, os sentimentos de ambas as partes e da crianças envolvida, os direitos de cada um, e principalmente, da verdadeira razão pela qual existe este conflito, e que se deve única e exclusivamente a uma justiça lenta e ineficaz que deixou que os pais afectivos ficassem com a pequena Esmeralda durante todos estes anos, apesar de o pai biológico reclamar a filha desde os seus 6 meses, altura em que confirmou a sua paternidade. Considero que, tal como enunciado no seu artigo de hoje, deveria aplicar esses princípios a todos os casos que comenta. E alguns jornalistas também deveriam começar a ter alguma ética profissional, já que pessoal já confirmaram que não existe.
    Catarina Morais | 14.07.2008 | 12.51H
  • Caro SLB, pôs o "dedo na ferida" e muito bem... quem tem telhados de vidro devia indignar-se também em casa, especialmente com os editoriais absolutamente parciais a favor dos "pais do coração".
    Ah pois é! | 14.07.2008 | 11.11H
  • Concordo com o teor da crítica! Mas pergunto-lhe D. Isabel: e no caso da pequena Esmeralda, não é o que a senhora e as revistas "cor-de-rosa" fazem?Com que conhecimento de causa a sra fala do pai biológico, do pai adoptivo, etc....???
    SLB!! | 14.07.2008 | 10.14H
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