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EDITORIAL

«Pretos e ciganos juntos não resulta»

15 | 07 | 2008   08.51H
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

«Pretos de um lado, ciganos do outro. Tudo junto não resulta. Ainda nos matamos todos.» Foi o que disse ao Correio da Manhã Paulo, de 28 anos, habitante da Quinta da Fonte. Na 'Quinta', diz o CM, 40% da população é de origem africana e 40% cigana, sendo 20% de «outra etnia».

O caldo étnico foi criado por altura da Expo, em que, para se contruírem acessos e espaços foi necessário realojar as 2500 pessoas cujas casas (a maioria clandestinas) obstruíam as obras. O presidente da Câmara de Loures reconheceu «que terá sido um erro despejá-las num mesmo bairro», mas que, atendendo à importância da 'festa', terá sido a solução mais rápida.

De facto, há palavras que explicam muito: etnias, despejar e agir sem pensar, conjugadas, são certamente explosivas. Associadas à pobreza, marginalidade e desemprego, chegam provavelmente para caracterizar a maioria dos bairros problemáticos dos arredores das grandes cidades.

Aliás, o Destak já tinha dado, em primeira mão, a notícia de um grave tiroteio na noite de quarta-feira na Falagueira (Amadora), com quatro feridos, e não é preciso ser vidente para antever que estas guerras serão recorrentes.

Ontem, 50 famílias ciganas que tinham fugido da Quinta da Fonte, e «rebentado» com as portas de uma outra urbanização, para ali se instalarem, diziam-se à espera de que as autoridades encontrassem uma solução para o seu caso. E as autoridades, prestimosas, assustadas e sob o fogo mediático, encontrarão, para depois voltarem a esquecer o assunto até à próxima batalha campal.

Sei que as soluções não são fáceis, mas receio que, por medo, acabemos por entrar neste jogo. Podemos admitir que pretos, encarnados, ou verdes se recusem a viver lado a lado? Se um 'branco' não quiser morar ao lado de um 'preto', o que é que lhe chamamos? E o que fazemos quando não gostamos do lugar onde vivemos?

Mudamo-nos, pagando do nosso bolso todos os custos. Não damos tiros, nem arrombamos portas, e bem podíamos esperar sentados que alguém nos desse uma casa alternativa. Não pode ser diferente só porque temos uma arma na mão e estamos dispostos a usá-la.

© Destak

17 comentários

  • 07.08.2008 | 17.10Hcomentário reprovado
  • CIGANOS E CÃES DE CAÇA, É TUDO A MESMA RAÇA!
    FORA COM OS CIGANOS! | 06.08.2008 | 14.33H
  • Meus amigos, gostava de partilhar convosco o ponto de vista do Mário Crespo, o qual eu subscrevo na sua totalidade, ao qual apenas acrescento mais um ponto, mas primeiro aqui fica o artigo do Mário Crespo: Limpeza étnica O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. “Perdi tudo!” “O que é que perdeu?” perguntou-lhe um repórter. “Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem…” Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga “quatro ou cinco euros de renda mensal” pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que “até a TV e a playstation das crianças” lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam “quatro ou cinco Euros de renda” à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a “quatro ou cinco euros mensais” lhes sejam dados em zonas “onde não haja pretos”. Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - “ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos.” A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor. Como disse no início, subscrevo na sua totalidade, coincidência das coincidências, defendi os mesmos pontos esta semana em conversa com alguns dos meus colegas de trabalho (aqueles que estão cheios de boas intenções e soluções, mas que jamais aceitariam acolher umas quantas destas famílias no seu prédio ou bairro e que na realidade querem é a maior distância possível deste tipo de problemas) e fui acusado de ter pensamentos racistas, xenófobos e nazis. Pois bem só tenho mais um ponto que gostaria de acrescentar, o Artigo 13.º (Princípio da igualdade) da Constituição da República Portuguesa: 1 - Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei. 2 - Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual. Se assim é, eu que trabalho honestamente, que pago os meus impostos e que contribuo para a evolução do nosso país, também quero receber subsídios, apoios e casa ou ajuda para pagar a minha casa. Jamais posso aceitar tanto apoio para quem nada produz, á custa do nosso trabalho, do nosso suor e sacrifício. Não podemos continuar a aceitar esta injustiça. Se o estado ajuda uns, tem que ajudar todos. Acordem Portugueses, chegou a hora da mudança. Ontem, numa reportagem sobre este bairro, apresentada num dos canais nacionais, uma pessoa de raça negra dizia “(…) enquanto vocês portugueses têm medo dos ciganos e não fazem nada, nós pretos, não temos medo deles e fazemos-lhe frente, não toleramos opressão (…)”
    Toca a despertar | 24.07.2008 | 10.57H
  • uma proposta para resolver o problema dos ciganos com falta de casa : ENVIA-LOS PARA O AFEGANISTAO PARA JUNTO DOS TALIBANS POIS EXISTEM MUITAS GRUTAS PARA ELES.
    a.c. | 21.07.2008 | 18.15H
  • Concordo totalmente com o seu artigo. Penso que seja de que etnia sejamos acima de tudo somos todos portugueses por nascimento ou naturalização e por isso deveriamos todos ter todos tratamento igual. Alguns comentários falam de racismo mas penso os comentários deles é que são racistas visto q são essas pessoas que cegas pelo complexo da côr da sua pele estão a pedir tratamento preferencial só porque têm 1 côr da pele mais escura, diga-se preto ou negro principalmente deve-se dizer português.
    anónimo | 21.07.2008 | 08.28H
  • Para mim a culpa não é dos que já entraram, mas sim destes politicos de meia tigéla que para terem mais votos querem é encher o País destes problemas, por exêmplo! ainda não vi o Drº Miguel Portas e outros a dar a cara e pedir desculpas aos Portugueses pelas ideias que tem de sempre apoiarem estes problemas..não tem outra conversa senão esta de apoiarem a entrada seja a que preço for em Portugal, qual o interesse de deixar entrar esta gente para viverem debaixo da ponte?..que lucro dá isto ao País que já tem tantos problemas?
    fg | 18.07.2008 | 12.06H
  • Acho que a Isabel esteve muito bem.Temos de perder o preconceito do colonizador que durou 500 anos.Eu trato toda a gente por igual, seja quem fôr.E exigo um tratamento igual.A história do coitadinho porque é de raça diferente, é vítima disto e daquilo, e portanto temos de facilitar, e dar apoios , e tratá-los de forma diferente, tem que acabar PORQUE ISSO SIM È RACISMO. Somos todos cidadãos portuguese s.Vivem conosco alguns cidadãos estrangeiros.Bem-vindos .Mas com regras.Caso contrário, vfenham os tiros, as crianças que não vão à escola, as barracas,etc,etc,etc..
    fernando sequerra | 17.07.2008 | 00.29H
  • Para uma pessoa como a senhora que é formada,no titulo do editorial escreve« PRETOS E CIGANOS NÃO RESULTA.»A senhora esta a descriminar nos, eu sou uma cidadã de raça negra e não preta.Uma pessoa formada como a Sra deveria saber que "preto" é utilizado como uma geria ou seja é mais utilizado no senso comum.Estas palavras não podem ser utilizadas por uma Senhora que se formou. É obvio que conhece os conceitos todos e o modo como se emprega as palavras.É de frisa la que abaixo do texto cita Se um 'branco' não quiser morar ao lado de um 'preto', A senhora Isabel Stilwell esta ser a pior racista em dizer isto."Se o branco não quiser morar ao lado do preto".A senhora como jornalista deveria conhecer a veracidade da história não a ter atitudes racista como esta a ter agora.A senhora tenha mais cuidado quando escreve.
    Lina Vera Cruz | 16.07.2008 | 01.06H
  • DONA ISABEL.....ANTES DE PUBLICAR ISTO LEU BEM O QUE ESCREVEU...DUVIDO,SE LEU BEM,TENHA CUIDADO COM O PRECONCEITO IMPLICITO,POIS PODE SER BEM MAIS PERIGOSO DO O QUE SE PASSOU NA QUINTA DA FONTE...O MUNDO ESTÁ COMO ESTÁ POR CAUSA DE ARTIGOS MAL REVISTOS,,,E FRASES DESCUIDADAS-FICA AQUI O MEU PROTESTO!!E O DE MUITOS CIDADAOS.
    viok-penafiel | 16.07.2008 | 00.08H
  • "Pretos e ciganos juntos não resulta": Deve por isso que os pretos não conseguem vingar no FC Porto, pois neste clube são todos ciganos.
    Alfacinha | 15.07.2008 | 23.48H
  • Portugal esta infectado por parasitas, violencia é a doenca transmitida pelos parasitas.
    jáfui | 15.07.2008 | 18.15H
  • Pretos e ciganos juntos não resulta PORQUE O GOVERNO NADA FAZ PARA INVERTER A SITUAÇÃO. O PNR TEM A SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA. HTTP://WWW.PNR.PT /// http://www.forumnacional.net/
    LX | 15.07.2008 | 16.11H
  • Os ciganos são gente que não paga impostos, vive à conta do Estado (leia-se contribuinte), Estado esse que anda a reinseri-los na sociedade à 30 anos. Das duas uma, ou o Estado tem falhado nos seus objectivos ou os ciganos não estão muito interessados em ser cidadãos de pleno direito, ou ambos. O que eu sei é que todos os imigrantes que vêm para Portugal, vêm para trabalhar, como os portugueses passaram a vida a fazer pelos 7 cantos do Mundo. Já os ciganos, ninguém lhes conhece especial gozo pelo trabalho e pelo cumprimento de Leis. Mas não é assim há 30 anos é assim há 700 anos!!! Por isso, ou põem essa canalhada na ordem, ou põem essa canalhada na ordem... porque está mais que provado que onde há ciganos há problemas!!!!
    Fernando da Costa - Lisboa | 15.07.2008 | 11.55H
  • Sou um jovem... Enquanto a uns que não trabalham dão casa e subsídios, eu, que tenho 27 anos, nem um contrato de trabalho tenho, quanto mais fará ter uma casa. Recibos verdes e..., e... já é bem bom. Mais vale do que ter estudado 19 anos para estar a servir à mesa. Não que isso tenho algum mal, até porque foi a servir à mesa que tirei o curso. Mas... alguém, por acaso, me dá algo? Claro que dão: nojo quando vejo estas notícias. Que Deus nos proteja a todos...
    anónimo | 15.07.2008 | 11.49H
  • Isso só significa que quem paga impostos, trabalha e cumpre com a lei só sai prejudicado em relação à outra malta composta por marginais. Só querem direitos, mas trabalhar nada. E como temos tido governos da treta, esses gajos vão-se sempre safando à nossa custa. Qual integração na sociedade? Chicote e cadeia. Mas nada de estar preso de papo para o ar a aprender mais manhas e vicios. Trabalhos forçados. Há muitas matas para limpar, estradas que estão uma lástima. Metam essa cambada toda a trabalhar no duro, para ver se ao menos servem para alguma coisa.
    Hybrid-lettuce | 15.07.2008 | 11.02H
  • No meu cometário, por erro grafei erradamente a palvra "pobreza" com um "s" e não com "z". As minhas desculpas pelo lapso
    J. Lopes/Amadora | 15.07.2008 | 09.51H
  • Qunato á pobresa: Viram nos notíciários, o advogado que os ciganos contratarm para libertar os dois detidos? Um dos mais conhecidos e caros da nossa praça! E as viaturas e carrinhas novas de marcas pouco modestas? Os ciganos não compram a crédito; tem dinheiro (donde virá?) e recebem habitação social? como é?
    J. Lopes/Amadora | 15.07.2008 | 09.48H
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