EDITORIAL

O topless de Kate e Paulo Portas

17 | 09 | 2012   18.45H
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

Dei por mim a encontrar semelhanças entre as declarações de protesto de Paulo Portas às medidas do Governo, e as da directora da revista que publicou as fotografias de Kate em topless.

Diz a senhora, que ponto 1, não se trata da princesa do Reino Unido, mas de uma “noiva apaixonada”, e ponto 2, que as fotografias foram tiradas num espaço público, já que considera que é pública qualquer varanda “apanhável” por uma objectiva.

Paulo Portas, no fundo, está em absoluto acordo com a dita Laurence Pideau: toda a gente tem direito a duas personalidades, e tudo depende da varanda. Ou seja, é membro do Governo, ministro com pasta, e consequentemente faz a lavagem da roupa suja numa varanda interior. Daí ter mantido um rigoroso silêncio sobre o seu desacordo. Protestou, alertou, contestou, mas o topless foi privado.

Contudo, enquanto líder do CDS, ou seja no seu papel de noiva apaixonada, tem todo o direito a um topless público, e não teve o menor pudor em vir desnudar os seus argumentos à vista de todos. E aí contou tudo. De como contestou, protestou, alertou e acabou por concordar a bem da Nação. Tudo e mais um extra: uma lista de avisos que faz a si mesmo. Pede a si próprio, enquanto governante bem entendido, que tome uma “posição de maior abertura”, “mostre audácia do lado da despesa”, saiba fazer escolhas, tenha sensibilidade social e por aí adiante. Por fim, garante que a sua “preocupação não é que um partido fique bem na fotografia”.

Tal e qual a directora da Closer, que também pouco se importou com a qualidade das imagens que deu à estampa, e se vão multiplicar por todo o mundo.

© Destak
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