Logótipo XL |Automotor |Classificados |Correio da Manhã |Destak |Jornal de Negócios |Máxima |Record |Rotas & Destinos |Semana Informática
EDITORIAL

A verdade a troco de dinheiro é prostituição

16 | 09 | 2008   09.05H
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

Quando liguei a televisão já tinha começado. Demorei tempo a perceber o que se passava, estava a leste do pesadelo felizmente, mas aos poucos fui mergulhando na história. Era um Especial SIC em que o primeiro concorrente do Momento da Verdade tinha direito ao que parecia ser um momento de reabilitação da sua imagem.

Uma segunda oportunidade para que o Cabo explicasse melhor o contexto das respostas que tinham chocado o País, dizia a moderadora. O que eu não entendia é porque é que o País não estava paralisado de terror com as perguntas, com a obscenidade do programa, com a prostituição que ali se faz, trocando a intimidade das pessoas por dinheiro.

A Verdade não é uma obrigação pública, era o que faltava. Mais, na forma que aqui assume, com as consequências desastrosas para todos (neste caso, inclusivamente para uma criança de sete anos que via em casa o programa em que o pai era a estrela), é apenas uma forma requintada de crueldade. Esta verdade não tem mérito algum. A intimidade de cada pessoa, os seus erros e falhas são conversa para ter com o grilo da consciência, ou com quem pelos seus laços de genuíno afecto mereça que com ela a partilhemos.

Mesmo este Especial era doentio. A moderadora tentava pôr pensos nas feridas, e até mostrava sensibilidade nalgumas questões colocadas, mas se a conversa poderia ser louvável entre as paredes de um consultório, a partir do momento em que tinha por objectivo a transmissão televisiva, passava a lamentável. Uma pseudopsicoterapia, em que alguém se arrogava o direito de dar palpites sobre a forma como o senhor vivia, se dava com a mulher, ou até beijava a filha. É triste ver justificar o injustificável. Tentar convencer-nos de que aquela desgraça era afinal um serviço público. Tinha servido, comentava para trazer «verdade» aquele casamento, para fazer dele uma pessoa melhor, e até lhe pediu para, ali mesmo, prometer que se regeneraria e a pedir perdão à esposa! Pornografia pura, este explorar de imaturidades e fragilidades. Como se pode hipocritamente fazer dinheiro à custa de imbecis?

© Destak

8 comentários

  • tem toda a razão, ISABEL,mas de que outra maneira os imbecis conseguiam ganhar tanto dinheiro,mesmo assim ao segundo concorrente não foi suficiente a imbecilidade.
    anónimo | 17.09.2008 | 14.24H
  • ANÓNIMO último, sem grandes comentários, deveria interrogar-se se não fará já parte desse mar de imbecis que para aí anda a ser fabricado e programado para pensar que são iluminados. Achar que nasceu imbecil é o primeiro sintoma. O segundo é auto-estimar-se de tal modo que o leva a pensar que a 'sociedade necessita deles (dos imbecis) para certos trabalhos'. E depois, por aí adiante, a sua retórica é de uma fragilidade tão constrangedora que só dá para o imaginar como mais um dos pobres afectados por essa praga terrível. Você ou pertence àquele grupo restrito de cidadãos que sempre acaba por enojar as sociedades, dado achar que há um punhado de eleitos e um mar imenso daqueles que não têm direito a nada (!!!), ou é somente fútil e entretém-se a gozar devido uma provável situação actual favorável. Instintivamente, dá-me para lhe dizer: deixe-se das drogas, e vai ver que começa a andar menos a alucinar... como o seu colega JFK...
    ALELUIA | 16.09.2008 | 18.07H
  • Oh amigo LEEMA3, os imbecis não se fabricam. Nós nascemos imbecis, não nos transformamos em imbecis. Ajudados por uma série de factores podemos deixar de o ser, mas a maioria não evolui o suficiente - o que não é drama nenhum. A sociedade precisa deles para certos trabalhos!! Não é a televisão que faz imbecis, sobretudo hoje quando a escolha é brutal. Hoje pode ver algum do melhor jornalismo televisivo que se faz no mundo (mas há quem veja os telejornais portugueses), das melhores entrevistas aos maiores protagonistas (há quem goste das entrevistas da Judite de Sousa ao Professor), tem vários canais culturais ao seu dispor 24 horas por dia, tem computadores em casa que são uma ferramenta descomunal de conhecimento e saber. Só fica agarrado a programas medíocres quem quer e gosta. E a verdade é que sempre vai haver imbecis. Eu até acho que eles deviam pagar mais impostos, por isso se há uma chica-esperta que vive à custa deles, até há uma certa Justiça nisso... Ela depois paga impostos sobre os lucros que tira a fazer programas para os imbecis. Há uma certa Justiça social nisto. Entretanto, as pessoas civilizadas fazem outras coisas e vêem outros programas nas televisões de outros países. Isto é o séc. XXI, amigo LEEMA3!
    anónimo | 16.09.2008 | 16.03H
  • JFK, ninguém está contra os imbecis! Cada um é o que pode. O que se está é contra as inúmeras fábricas de produzir imbecis que por aí começaram a proliferar, com o único objectivo de sugar dinheiro...
    LEEMA3 | 16.09.2008 | 15.09H
  • Calma AIAM, calma. De facto, quem decide as eleições são apenas cerca de 10% dos votantes. Repare: grosso modo 5% vota sempre CDS, 8% sempre PCP, 6% sempre BE, 35% sempre PSD e 35% sempre PS. Estes, gente pouco democrática aliás, não conta porque votam sempre nos mesmo. São os 10% de esclarecidos democratas que não estão formatados, os 10% de pessoas que pensa livremente que, de facto, decide as eleições. Os que têm ideologia, chamam-nos indecisos mas a verdade é que somos nós o verdadeiro fiel da balança democrática e não os imbecis que votam sempre no mesmo partido esteja à frente o Pedro Santana Lopes ou a Manuela Ferreira Leite. É a nós, o 'Clube dos 10%', que os partidos têm que convencer. Deixe lá o Povo pensar que é a 'maioria' que decide alguma coisa... Se quer que lhe diga, acho que nem os Partidos perceberam isto...
    JFK | 16.09.2008 | 13.28H
  • O pior, JFK, é quando os imbecis são a maioria ... Como li, um dia, a alguém: A maioria é enganadora. Por vezes, é o lado onde estão todos os burros.
    AIAM | 16.09.2008 | 12.56H
  • Eu compreendo a indignação da autora, pessoa naturalmente civilizada. A estupidez é uma coisa incomodativa e a sua exposição pública é confrangedora. Mas há público para estas coisas! Há pessoas que gostam ... e o voto delas vale tanto como o nosso ... e têm tanto direito a uma programação ao seu gosto como nós... Será que o programa em questão é mais cretino que os Morangos com Açucar, os desenhos animados do canal Panda e / ou tantos outros programas televisivos? Será que as caretas que o imbecil do José Rodrigues dos Santos faz, num Telejornal nacional, não são ofensivamente imbecis? Um velho anarquista que conheci na minha juventude dizia que 'pornografia são os discursos do Salazar!'. Mas há quem goste! Dantes não podiam ouvir outra coisa mas hoje há biliões de alternativas. Deixai os imbecis que eles também têm direito a divertir-se, tadinhos....
    JFK | 16.09.2008 | 11.21H
  • Aquilo a que alguns adora chamar 'o ocidente' foi conquistado pelos 'filhos da hipocrisia'. A 'prostituição', como muito bem aqui lhe chama a Isabel, é, no seu sentido mais lato, a realidade que se espalha, e que fomenta a desonestidade. Os bancos na América caem precisamente por isso. Deixámo-nos enganar. Somos os 'filhos da hipocrisia'. Ou seja, no vortex de uma sociedade que tanto se auto-denominar avançada se esqueceu de olhar para a realidade e promover valores realmente fundamentais. É mesmo muito triste, quase tudo em nosso redor cheirar a prostituição. Desde a guerra e a compra de informadores e adeptos, até aos próprios programas de TV e relações inter-pessoais.
    MOVE-SE | 16.09.2008 | 10.16H
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE