EDITORIAL

Massacres

16 | 12 | 2012   21.24H
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

O horror dos massacres como o de sexta-feira deixa-nos sem palavras, mas desesperadamente à procura delas. Buscamos uma explicação, qualquer coisa que nos ajude a entender porque é que um rapaz pega numa arma e assassina dezenas de crianças pequenas, que nunca lhe fizeram mal nenhum. Querendo acreditar que não há rapazes maus, como podemos compreender que a mente se distorça desta forma monstruosa?

E que “doença” é esta que parece manifestar-se de tempos a tempos, de forma exuberante e cruel? Ontem naveguei na Net em busca de alguma visão mais iluminada. A 1.ª conclusão é de que não se trata, como gostamos de imaginar, de “loucuras à EUA”. Massacres semelhantes ocorreram na Escócia, Noruega, Alemanha e China. É claro que ter armas à mão tornam as consequências mais catastróficas, mas não explica tudo. Christopher Ferguson, professor na Universidade do Texas, diz que há três traços comuns a estes assassinos: comportamento anti-social, uma doença mental, sob forma de depressão ou psicose, e a convicção de que são vítimas de um indivíduo em particular, ou da sociedade em geral. O seu crime é uma defesa, porque se imaginam em perigo, ou de vingança. Mas porquê sempre escolas? Ferguson acredita que sabem que essa é a forma de infligirem o máximo de dor. E não se enganam.

Erika Christakis, da Universidade de Harvard, aponta um outro “elemento” comum: são sempre homens. Aliás, lembra, que 90% dos homicídios são cometidos por homens, e pergunta «Porque podemos dizer que a anorexia nervosa é uma doença mental que se manifesta mais no feminino, e não podemos dizer que a violência é uma doença mental tipicamente masculina?» Defende que se tomássemos em consideração este factor de risco, e aceitássemos que a violência é um problema de saúde pública, seria mais fácil combater estas tragédias. Por algum lado temos de começar.

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