COLUNA VERTICAL

Ditosa pátria

15 | 07 | 2014   16.54H
José Luís Seixas

Há momentos na vida dos homens e das Nações em que nada, mesmo nada, parece correr de feição. Todos conhecíamos – e vivíamos – as dificuldades que a História recente nos criou. O discurso, porém, começava a criar leves expetativas de alguma recuperação. Além disso, irrompeu o Mundial nesse Brasil distante que ainda consideramos parente. A política, como tudo o resto, foi banida dos “prime time” televisivos que passaram a esgotar-se nesse notável escol de mosqueteiros da Pátria que compunham a nossa Seleção.

Quis o Destino – ou o fado, ou o infortúnio, ou a imperícia – que esse grupo de notáveis descendentes do Condestável se convertessem em espoliadores da raça lusitana e que, de mansinho, fossem humilhantemente recambiados para casa. Retornámos ao mundo real. Descobrimos que o robusto Grupo Espírito Santo afinal estava em cacos e que o Banco – que suportou governos, partidos, poderes e influências de todos os quadrantes e de todas as naturezas – vivia a angústia da incerteza, coisa que nem uma mercearia de esquina consegue suportar por muito tempo.

A economia não se apresentava tão venturosa como a pintaram. “Abrandou”, elucidam os comentadores do costume. Bem como as exportações e o resto, à exceção da despesa pública, essa malvada que não para de crescer. Adivinham-se mais impostos, apesar de a famosa “curva de Laffer” ser já uma quase circunferência, tamanha a sua profundidade. O Partido Socialista descobriu ser este o tempo ideal para andar à procura de si próprio. Espera-se que, volvido o verão, com o advento de um qualquer orçamento retificativo, se encontre. E diga ao que vem. Já agora, dava jeito. E evitava riscos maiores e emergentes.

© Destak
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