COLUNA VERTICAL

Estranho agosto

09 | 09 | 2014   17.54H
José Luís Seixas

E lá se finou este estranho e surpreendente agosto. A clemência do tempo e o frescor das águas arrefeceram ânimos e deram um ar de inusitada normalidade nos interstícios da tempestade. O País viveu um infrene entusiasmo estival. As estradas encheram-se, os hotéis lotaram, os restaurantes auferiram histórica receita. O Algarve foi mais português.

Ouviram-se todos os sotaques e dialetos que cobrem o Continente. O Novo Banco transformou-se numa borboleta e o velho, esse morreu esmagado sob o tacão do Banco de Portugal. Espera-se que da venda se compense o Fundo de Resolução sob pena da banca portuguesa ser obrigada a quinhoar no montante em falta, exaurida como está de liquidez.

Junckers constituiu a sua Comissão, Lagarde foi ouvida pelos tribunais franceses e o pai do nacionalismo catalão parece ter-se afivelado com uma substancial fortuna que pôs a recato, não fosse o diabo, catalão ou castelhano, tecê-las. Lá nos confins da Europa, Putin brinca com Obama aos prolegómenos de um conflito incontrolável. A sul, o Estado Islâmico promete reconstituir o Al-Andaluz, propósito que nos atinge directamente.

Antes que emerja o califado, o primeiro-ministro e o Presidente da República fizeram-se fotografar em calções de banho nos areais algarvios. Como gente comum. Com protetores solares e corpo de segurança. Marcelo oferece gravatas a Marques Mendes e Marques Mendes agradece. Bárbara Guimarães tem novo namorado, o que nos enche de alegria, bem assim como à própria. E tudo terminou com sardinhadas, muita oratória, universidades de verão, as intrigas do costume e a guerra civil socialista. E por aqui me fico, esperando o cair da folha com o advento do outono. E rezando, rezando muito...!

© Destak
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