COLUNA VERTICAL

PS - O desafio

23 | 09 | 2014   21.10H
José Luís Seixas

Em véspera da designação por votação aberta do candidato do PS a primeiro-ministro (fórmula que de modernidade só tem aparência) importa refletir um pouco sobre o que se espera do designado. Ninguém duvida que as escolhas não decorrem de opções fundadas na refrega da campanha. Muito menos numa noção, mesmo que difusa, do interesse nacional.

Entre militantes socialistas e simpatizantes arregimentados a decisão resultará, como sempre, de duas premissas que se confundem: compromissos pessoais e expetativas de poder.Olvidando o processo e indo à questão essencial. Atravessamos uma das crises mais complexas da nossa História. Por fatores endógenos e por fatores exógenos. O futuro que se prevê está longe da prosperidade e da abastança. As instituições referenciais da sociedade portuguesa, porventura à exceção da Igreja Católica e das Forças Armadas, vivem crises sem paralelo. O País está descrente. Em si próprio e em quem o dirige. As proclamações não têm eco. E a lamúria já não se suporta. Neste estado de coisas, uma candidatura incumbente em eleições legislativas tem de perceber que as pessoas não estão disponíveis para ouvir o que vão fazer de diferente, mas exigem que se explique como vão fazer diferente. Ou seja, com que meios, com que recursos, com que resultados.

A retórica de efeito acabou. Todos sabemos – ou intuímos – que não há grandes opções a médio prazo. Mas as poucas que se descobrem no cerrado nevoeiro que nos oculta o horizonte devem ser enunciadas com clareza e assumidas serenamente. Numa Europa sem rumo e num mundo sem liderança o que se deseja é bom senso, capacidade para convocar a vontade coletiva, sobriedade, probidade e sentido de Estado. E uma coragem moral e cívica que não está ao alcance de qualquer um. Este é o desafio. Será algum dos candidatos o homem certo?

© Destak
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