COLUNA VERTICAL

O santo milagreiro

30 | 09 | 2014   19.43H
José Luís Seixas

O milagre operou-se. Das entranhas socialistas surgiu o Ungido que levará o Partido à glória e o País à salvação. Cantam-se hossanas e os brados de júbilo ecoam pela Terra inteira. O sol resplandeceu e a luz iluminou os nossos tristonhos quotidianos.

Quem assistiu à noite da vitória de António Costa poderia ser induzido a admitir este preambulo. Porém, importa ser um pouco mais comedido e distante do frenético entusiasmo que percorreu o Fórum Lisboa. Desde logo na leitura da “vontade de participação” dos “simpatizantes” que aderiram à eleição aberta do candidato a candidato socialista. Admito que tenha havido alguma genuinidade. Mas, desenganem-se os incautos. A grande maioria foi arregimentada por entre as relações de parentela, de amizade ou de dependência dos arregimentados militantes que integram as estruturas do partido. O País é o que é e os partidos não mudam num ápice.

Depois, não será despiciendo recordar o duelo travado entre os candidatos, o qual nada pressagia de bom em termos de alternativa de governo. Tudo se resumiu a muitos ataques pessoais e à enunciação de um conjunto de banalidades. Costa é melhor do que Seguro, dir-se-á. Adiro facilmente a esta conclusão. Mas depois de ver os rostos que pulularam na festa da sua noite de vitória prevejo um enorme desafio.

Como poderá afirmar a sua diferença rodeado dos órfãos das últimas lideranças socialistas? Todos ávidos de poder e frementes de vários ajustes de contas? Faço votos – e creiam que sinceros – para que o seu carisma de “homem novo” não se dissolva no passado purulento de arrogância, prepotência, irresponsabilidade e desnorte protagonizado por muitos dos que por ali se viram e que em muito – e com ajudas várias – conduziram o País ao estado a que chegou.

© Destak
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