COLUNA VERTICAL

A decisão do Dr. Proença

15 | 09 | 2015   22.26H
José Luís Seixas
A decisão da Liga Portuguesa de Futebol Profissional de não suspender as competições no dia das eleições legislativas não pode deixar de merecer crítica severa e contundente. Ao contrário do muito que se tem dito, a questão não está em potenciar o nível, previsivelmente alto, da abstenção ou a impossibilidade de exercício do direito de voto pelos praticantes envolvidos, a maioria dos quais, aliás, nem é portuguesa. O que esta decisão põe em causa é a solenidade do acto e o seu significado intrínseco. Em Portugal, o dia eleitoral, em regra, não coincide com solenidades religiosas ou com a celebração de efemérides históricas. É um dia especialíssimo. De celebração, de convivência e de expectativa. De expressão da verdadeira natureza da democracia através da auscultação da vontade dos cidadãos sobre as questões da Cidade. Não é um dia vulgar e mal estaremos se consentirmos que como tal se torne. Não se invoque falaciosamente a ocorrência de eleições em dias laborais em Inglaterra ou noutros Estados com democracias seculares ou voto obrigatório. Falamos de Portugal e da democracia portuguesa. Esta decisão, cuja responsabilidade o neófito presidente da Liga, Pedro Proença, não pode repassar para os clubes por caber por inteiro ao organizador da competição e não aos seus participantes, revela uma perigosa falta de respeito pela própria Nação Portuguesa que naquele preciso dia será chamada a decidir o seu futuro imediato. Evidentemente que a complacência do Governo e do Presidente da República assume idêntica gravidade. Deveriam utilizar os seus poderes – legais ou informais – para impedir esta monstruosidade. Mas, infelizmente, acobardaram-se. Talvez os patrocinadores e operadores televisivos expliquem ao Dr. Proença que nada disto é bom para a indústria do futebol.
© Destak
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