COLUNA VERTICAL

As eleições catalãs

23 | 09 | 2015   22.00H
José Luís Seixas

As eleições catalãs do próximo domingo assumem uma importância decisiva. O êxito federador do advento democrático espanhol assentou, essencialmente, numa Constituição modelar que conseguiu o feito notável de reconciliar os povos de Espanha num processo simultâneo de convergência democrática e de respeito pelas raízes identitárias das autonomias históricas que não punha em causa a unidade do Estado assegurada pela Coroa. É certo que nem tudo foi pacífico em Euskadi mas, mesmo aí, a ETA acabou por entregar as armas e se dissolver em alternativas políticas residuais.

Sem detalhar os dissídios históricos que mancharam de sangue as fronteiras ibéricas ao longo de muitos séculos, o “catalanismo” não se pode confundir com os chamados independentistas de hoje. O argumento catalisador destes reduz-se à recusa da comparticipação dos recursos gerados na Catalunha na economia de Espanha. 

As receitas catalãs não são divisíveis, principalmente, se em proveito da capitalidade de Madrid ou da ociosidade do Sul. Curioso é conhecer-se o facto singular de ser hoje a Catalunha uma das autonomias cuja despesa mais pesa no défice público espanhol, essencialmente em resultado das governações pródigas (e, pelo que agora se sabe, venais) da CiU…!

Se o independentismo vencer – mesmo sem considerar as réplicas que poderão emergir noutras autonomias históricas - a Europa não será a mesma. As consequências de uma eventual secessão são totalmente imprevisíveis. 

Sobre os ombros de um homem de idoneidade duvidosa - Artur Mas – pode estar o futuro do projecto europeu. A perversidade da democracia é por vezes entregar o poder ou aos loucos ou aos néscios.

Não será o caso. Mas anda lá próximo…

© Destak
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