COLUNA VERTICAL

Inteligência emocional precisa-se!

24 | 11 | 2015   22.46H
José Luís Seixas

Nesta coluna expressámos já a nossa opinião sobre a solução governativa que se adivinhava. O quadro que prevíramos veio a confirmar-se. 

António Costa adquiriu o poder suportado num encontro conjuntural de interesses da esquerda. Sem projecto comum, ideia de País partilhada, concepção de Estado sequer aproximada. 

A ver vamos se não acaba por se acolher nos braços de uma direita recentrada e reconstruída. Esgotados estes momentos iniciáticos e de investidura, percorrida a meta dos cem dias, chegado às grandes provas que o incontornável agravamento da situação económica irão exigir e todas as dúvidas se dissiparão. 

Não cremos que BE e PCP aceitem imolar-se na pia do tratado orçamental e dos limites do défice ou hipotecar as suas bases de apoio perante a incontornável lógica securitária que emergirá dos compromissos europeus. Mas, se a vida será dura para António Costa, espera-se que a vontade de revanche da direita abrande ou seja gerida com a inteligência emocional que se exige a uma liderança.

Não é nem compreensível, nem admissível que se mantenha a anunciada intransigência no Parlamento. Esta história do “não contem connosco” tem limites objectivos que só um instinto manifestamente suicidário pode ignorar. 

Caberia perguntar: e o País, no meio dos impasses justificados não pelos objecto e natureza das propostas, mas pela sua autoria? Sorte grande sairia a António Costa se pudesse, dentro de meses, justificar que bem tentou, mas não o deixaram. 

À esquerda, porque o abandonaram. À direita, porque o repudiaram. Perante um novo quadro com dissolução e antecipação das eleições, Costa vitimizado seria um fortíssimo candidato à maioria absoluta.  

O autor opta por escrever de acordo com a antiga ortografia

© Destak
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