COLUNA VERTICAL

Tiro ao almo

12 | 01 | 2016   22.47H
José Luís Seixas

A campanha eleitoral para as presidenciais prossegue modorrenta, sem chama nem qualquer entusiasmo. Os debates foram penosos. 

A essencialidade simbólica do Presidente da República de guardião maior da unidade da Pátria, de garante do respeito pela Lei e de Comandante Supremo das Forças Armadas, não pode ser aviltada desta forma que, por vezes, roça o patético. 

Tudo parece resumir-se ao tiro ao alvo, ao ataque ao único candidato que a normalidade das coisas consente ver como tal. Marcelo terá todos os defeitos que lhe imputam. Mas, de tanto se ter exposto, ninguém ignora nada de essencial sobre ele. É o que é, no bom e no mau. 

Está a fazer o seu percurso de campanha tentando ser o congregador e não o divisor. Todos compreendem – ou deveriam compreender – ser esta a única estratégia eficaz para a consecução de um objectivo que há muito acalenta.

Porém, há na direita quem gostasse de um candidato de “causas”, de “rupturas”, de “divisão”, como se ao Presidente coubesse o cumprimento de um projecto ideológico ou de um programa de governo. 

O perfil presidencial é exactamente o contrário. E, pelo que se ouve e lê, há demasiados candidatos de “causas”, de “rupturas”, de “divisão” à esquerda. O risco é não perceber que este momento concreto de tantas acrimónias reclama quem saiba conciliar sem outros compromissos que não a sua própria consciência e estimular os portugueses para uma nova forma de ver, estar e viver a política e a cidadania. 

Quem não interioriza isto fica-se numa visão paroquial e de facção e não perceberá tão cedo os novos tempos que se aproximam. Que não serão nem fáceis nem seguros.

O autor opta por escrever de acordo com a antiga ortografia

© Destak
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