COLUNA VERTICAL

A errata da errata

16 | 02 | 2016   23.14H
José Luís Seixas

Quem tenha acompanhado com razoável atenção as peripécias que envolveram a preparação e apresentação da proposta de Orçamento terá, certamente, sido dominado por um sentimento de profunda inquietação. Não sobre o conteúdo em concreto das medidas previstas, algumas, pura e simplesmente, imperceptíveis. Mas sobre os seus pressupostos, questionados por todas – todas – as entidades nacionais e internacionais que os analisaram. 

E sobre a forma insólita como foi divulgado. As desbragadas considerações expendidas pelo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais a propósito da caracterização do limiar da riqueza e sobre a elasticidade do imposto sobre os combustíveis. 

A declaração – que ornamentará para sempre a galeria dos dislates – do Secretário de Estado do Orçamento, anunciando que em 2017 talvez “póssamos” sair do procedimento de défice excessivo. A errata de 46 páginas, envolvendo conceitos, expressões, números, uma cornucópia de rectificações nunca vista numa proposta de Orçamento de Estado. 

O contido e reservado apoio do BE e do PCP, justificado pelo compromisso ideológico (é mau mas é da malta!). O antecipado anúncio da emergência de um Orçamento Rectificativo, o tal plano B que chegará por ocasião do Europeu de Futebol (momento azado para medidas desagradáveis) perante a óbvia constatação do demagógico optimismo das previsões que o fundamentam, evidentes hoje pelos números publicados sobre a economia portuguesa e pela aflitiva imprevisibilidade da evolução da economia europeia. 

Enfim, tudo isto e o resto que se adivinha estampado no rosto de um Mário Centeno olheirento e abatido, bom rapaz que deverá ser, mas vestindo um fato que não lhe serve e prestando-se a desempenhar um papel que não lhe assenta.  

© Destak
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE