COLUNA VERTICAL

Crónica do pessimista

23 | 02 | 2016   22.34H
José Luís Seixas
Há anos, porventura não muitos, esta crónica seria considerada pessimista e pirrónica. Hoje, porém, confina-se num simples inventário de factos que constroem a circunstância do momento que vivemos. Ao nível nacional, a observação do Orçamento do Estado que se prospectiva de vida muito curta e se desenha como antecâmera de medidas de extrema penosidade para o contribuinte. A que acresce a insólita querela promovida pelo Governo contra o Banco de Portugal, com efeitos erosivos para a relação fiduciária dos cidadãos com o sistema financeiro. E se agrava com a agressividade nas relações entre os diferentes agentes políticos e sociais, num maniqueísmo que nos faz remontar a 1975, às nacionalizações e à luta contra o capital. Renasce a ansiedade e a preocupação sobre o futuro, o descrédito das instituições e uma depressão colectiva que só não vê quem, no poder, ainda persiste na leitura dos conflitos sociais com que Boaventura Sousa Santos embriagou toda uma geração da esquerda “bem pensante”. Lá fora, a nuvem negra avança a estonteante velocidade. Não apenas pela falência dos BRIC’s. Mas com o previsível desastre do resultado do referendo inglês, com a instabilidade política e territorial espanhola, com as hordas de intolerantes que ser apoderam da Europa do Norte, com o domínio estratégico russo e com o anedotismo em que se parecem converter as eleições americanas. Com tudo isto, dentro e fora, resta a voz singular e esclarecida do Papa Francisco que muitos dizem ouvir mas poucos interiorizam. Mas, enfim, que haja saúde e que Deus ilumine os homens nestes momentos de absoluta escuridão.  O autor opta por escrever de acordo com a antiga ortografia
© Destak
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