COLUNA VERTICAL

Os desafios de Assunção

15 | 03 | 2016   23.03H
José Luís Seixas
A Dra. Assunção Cristas não terá trabalho fácil. A sombra tutelar da liderança anterior pairará no horizonte do Largo do Caldas por algum tempo alimentada pelas centenas de devotos que compõem hoje a estrutura partidária, alguns dos quais - e dos mais fervorosos – rodeiam a adventícia Presidente. Portas foi uma chama intensa que iluminou o CDS nestes últimos anos, criou um aparelho e uma estrutura clientelar que dele dependeu e, como tal, o não esquecerá facilmente. A pretensa gaffe do Presidente do Congresso designando-o por “presidente emérito” tem um significado concreto! A afirmação da Dra. Assunção Cristas está, pois, neste primeiro e maior desafio: ganhar, renovando, o partido. Formar o seu próprio exército, não por adulação pessoal – coisa que me parece não caber no seu perfil – mas armado com um projecto sólido para o País que aclare a posição do CDS no quadro partidário português. Ora, para isso, a Dra. Assunção Cristas terá de perceber que a autoridade inere à liderança. E que esta é sempre solitária. O poder do chefe não é divisível sob pena de se atomizar numa pluralidade de feudos que acabarão por se unir contra si. É a lei do tempo e a lição da história. Em segundo lugar, reencontre o seu eleitorado natural: o povo social-cristão e conservador. Portas cresceu quando, embora intrinsecamente um liberal, percebeu que a direita portuguesa o não é nem nunca foi. Em terceiro, não ignore que o CDS tem uma história antes do Dr. Portas. Nem Freitas do Amaral nem, principalmente, Adriano Moreira são omissíveis. Conformaram os genes identitários da casa que hoje gere. Finalmente, desvalorize as críticas que lhe fazem sobre a sua “suavidade”. Não é aos berros e com faltas de cortesia que se conquista a razão. É com assertividade, com temperança, com autenticidade e com verdade que se ganham as pessoas. O País de hoje quer gente confiável que se exponha como é sem medo nem mistificações. A Dra. Assunção Cristas reúne à partida todas as condições para uma liderança com sucesso. Não pode, porém, olvidar estes avisos. Tenha sempre presente as circunstâncias da fugaz liderança de um homem de bem e de talento invulgar como José Ribeiro e Castro. E mais não digo! O Autor escreve segundo a antiga ortografia.
© Destak
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