COLUNA VERTICAL

E não aprende...

10 | 05 | 2016   22.31H
José Luís Seixas
Pode ser falta de jeito. Ou, quiçá, fadiga. Ou deficiente aconselhamento. O que ficou foi a sua desastrada recusa. Falamos de Passos Coelho e da inauguração do Túnel do Marão. Sabemos bem, como transmontano de corpo inteiro, o que esta obra significa para a região e o que permitirá em termos de desenvolvimento. Assim se saiba captar o investimento necessário à luta contra a desertificação que constitui o principal flagelo do Reino Maravilhoso de Torga que continua pujante em beleza e em potencialidades. Esta a razão da nossa perplexidade. A qual se adensa ao recordar que, embora a obra tenha sido lançada por Sócrates, foi com Sócrates que se quedou no buraco aberto no sopé da serra imersa num horizonte de dúvidas, de litígios e de incertezas. Coube ao Governo de Passos Coelho o seu desbloqueamento e a conclusão que ora se celebrou. Com esta sua precipitada e injustificável atitude Passos permitiu que o seu papel e o do seu Secretário de Estado Sérgio Monteiro fosse inteiramente esquecido, vendo os louros da construção do Túnel exclusivamente depositados na cabeça de quem a iniciou e depois a comprometeu. Evidentemente que haverá quem diga que a culpa – que, regra geral, morre solteira – foi dos bancos ou das construtoras ou dos imponderáveis do momento histórico. Muito há, na verdade, para esclarecer. O certo é que, embora com custos incrementados, afundado numa crise gravíssima, o último governo teve a coragem de priorizar a resolução dos muitos de nós que impediam que o buraco escavado não passasse disso mesmo. Circunstância que a falta de lucidez – ou o azedume com a história – patenteada por Passos Coelho neste incidente infeliz acabará por silenciar. Injustamente!
© Destak
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