COLUNA VERTICAL

Pactos

29 | 06 | 2016   00.04H
José Luís Seixas
Nada tenho contra o Senhor Iglesias, o seu rabo-de-cavalo e o estilo cowboy que cultiva. Se entende ir de camisa desabotoada cumprimentar oficialmente o Rei, o problema é dele. Se consente que uma deputada do seu grupo político saque a mama em plena sessão parlamentar e alimente o seu bebé, nas tintas. Dizem ter sido um gesto dessacralizante do exercício do poder. Como o de Iglesias, saudando a intervenção de um seu camarada com um beijo rematado com uma palmada nos glúteos. Porventura, a maioria considerou tudo isto excessivo, despropositado, desprestigiante para as Cortes e indigno do Estado Espanhol. Esse era o efeito desejado. Provocar e erigir o escândalo a uma forma de discurso político. Talvez por isso o resultado das eleições de domingo e o estrepitoso desmoronamento do “Podemos” (e da sua aliança contra-natura com os herdeiros do comunismo espanhol de Carrillo), feito de dinheiro venezuelano, de cumplicidades que começam a ser conhecidas e de um populismo extremo, inconsistente e sem substância foi uma lição democrática soberba. O povo espanhol foi claríssimo. Ratificou o bipartidarismo que construiu a Espanha moderna que, no meio da crise, consegue crescer o dobro da UE que integra. Advertiu, porém, quer à direita quer à esquerda. Os novos partidos, ainda que com fortes quebras eleitorais, mantiveram-se com voz. Embora sem poder de alternativa. Rajoy percebeu a necessidade de moderação e do regresso ao centro. E Sanchez terá de reflectir sobre as suas fobias. Ambos têm dois grandes mestres (Aznar e Gonzalez) que explicarão o como e o porquê da sobrevivência da democracia espanhola e da manutenção difícil da unidade territorial. Os Pactos que comprometem a essência mas não prejudicam a alternância. Da Moncloa, de Toledo. Pactos. É este o novo horizonte político da Espanha, resgatando o futuro com as velhas e boas receitas.
© Destak
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