COLUNA VERTICAL

Do sol e da chuva!

05 | 07 | 2016   21.47H
José Luís Seixas
Os tempos que correm não estão para os “optimistas irritantes” nem para os “pessimistas militantes”. Estão para gente ponderada e com bom senso que saiba perceber a realidade que a rodeia e as circunstâncias que vive. Este o grande, o essencial, desafio. Sem adjectivações tonitruantes. Mas é urgente que os portugueses percebam que, apesar dos afectos presidenciais (que não são despiciendos), vivemos o pior dos tempos. O tempo da absoluta incerteza. Ninguém se atreve a predizer o futuro. Os indicadores políticos e económicos nunca se aproximaram tanto da meteorologia. Entre o sol inclemente e abrasivo e a violenta borrasca, tudo pode acontecer. Ignoramos como e quando se concretiza o “Brexit”. Ansiamos pela normalização política em Espanha que tarda. Tememos a onda referendária que cresce pela Europa central e do norte. Antecipamos o directório alemão, desconhecendo como continuarão a conviver Schäuble (obreiro da unificação alemã ao lado de Khol, mas despido do europeísmo e da mundividência deste) com Merkel (que em tempos lhe capturou a chancelaria que tanto ambicionou e mais próxima da herança social-cristã e europeia das lideranças pretéritas da CDU) e o SPD (emparedado no meio desta contenda interna e surda mas perceptível). Tememos a erosão do sistema financeiro e apressamo-nos a retomar as velhas receitas para o aforro. Constatamos vivermos numa Europa de serviços, desindustrializada, sem capacidade produtiva. Exultem os responsáveis pela globalização. Essa loucura mundial que, na miragem de satisfazer os ricos – poupando nos factores de produção – e ajudar os pobres – dando trabalho e aptidões a custos que pretendiam controlados – , gerou uma crise que varre todo o mundo, sem excepções, nem portos de abrigo! O autor opta por escrever de acordo com a antiga ortografia
© Destak
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